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Capítulo 39 - Cão de guarda

por Jessie Bell, em 19.07.11





 


Aviso, caras(os) leitoras(os) que atingimos os 500 comentários. O 500  foi feito pela excelentíssima copo de leite, que escreve incrivelmente bem e toda a gente devia ir ler o blog dela, aqui. Leiam muito e comentem. Não se esqueçam de ir ver o meu novo blog pessoal que está numa nova conta e seguirem: www.aghost.blogs.sapo.pt


E agora, o "tão esperado" capítulo 39! Quero muitos comentários:


 


***


 


- Olá! – Exclamei, quando ouvi a sua agradável voz do outro lado da linha.


- Dalillah! Estava mesmo para te ligar – disse, com uma súbita alegria na voz, que me aquecia o coração.


- Não mintas, Parker Halle. Eu sei perfeitamente que já não queres saber de mim – brinquei.


- Ainda bem. Acabaste-me de poupar o imenso trabalho que teria em acabar contigo.


- Nem te atrevas – ameacei-o.


- Desculpa lá, mas tu é que disseste que eu já não queria saber de ti. Só te estava a dar razão, meu amor.


- Eu não necessito desse tipo de razão – disse com um sorriso vitorioso. – Preciso de te contar uma coisa…


E assim o fiz, contei-lhe tudo o que tinha acontecido, desde ter ido às compras com Melanie até à conversa que tinha tido com Michael e, quando acabei, ele confinou-se ao seu silêncio.


- Parker, não dizes nada? – Perguntei, preocupada com seu silêncio.


- Dalillah… Eu sei que já disseste que sim, mas, por favor, não vás – pediu-me, com um tom de voz demasiado triste.


- Parker! – Exclamei, surpresa. – Porquê?


- Amor… Por favor. Se confias em mim, não vás.


- Parker. Dá-me uma boa razão.


- Eu não quero que te magoes – disse com uma voz fria.


- Explica-te. O Michael já disse que não gostavas dele, mas por favor Parker, o que é que se passou?


- Ele… Esquece! É demasiado complicado.


- Eu tenho tempo… Não contava dormir grande coisa, de qualquer modo.


- Dalillah… - resmungou, com aquele tom tão familiar.


- Fazes-me o favor de te explicares? Não estás a fazer sentido nenhum e eu odeio quando ages assim! – Gritei exaltada, enquanto pendurava a cabeça para fora da cama, deixando o sangue aflorar-me à cabeça.


- Assim como? – Perguntou com irritante tom, que utilizava quando queria fazer-se de desentendido.


- Parker, isso não resulta, por isso, se faz favor, explica-me o que é que se passou entre ti e o Jacques, antes que eu me aborreça a sério.


- Já foi há bastante tempo – começou, finalmente. – Antes de entrar para o conservatório nacional, eu fiz as audições para entrar aqui. Eu e o Michael. O gajo ganhou uma advertência qualquer ao Mike e consequentemente comigo. O Mike deixou aquilo passar, mas a verdade é que ele ficou-me entalado durante toda a semana das audições. Depois de alguns confrontos, o cabrão…


- Parker! – Gritei. – Sem insultos, por favor – pedi, com um tom mais calmo.


- Continuando: o cabrão começou a meter-se com a Kate, que ainda nem tinha feito audições para a escola, simplesmente viu-a comigo um dia e começou a atirar-se a ela. Eu passei-me e, bem, no penúltimo dia das audições ele curtiu com ela e eu, quando descobri, parti-lhe a cara. – Aquela história começava a assustar-me. Nunca conhecera Parker tão violento… - Não sabendo eu que ele era (e é) o filho do director da escola e fez com que me expulsassem daí. E o que ainda me pôs mais furioso foi que não só fez com que me expulsassem a mim, como também Michael, que não tinha culpa nenhuma nisto. – Conseguia ouvir a sua respiração acelerada.


- Ok. Mas isso tudo pertence ao passado… Além de que eu não sofro nenhuma ameaça.


- Aí é que te enganas. O cabrão é um cobarde e depois da sua primeira vingança mesquinha, não tardou a realizar a segunda: ele vingou-se na Kate, Lillah. Ele vingou-se da pior maneira possível. Ele… - e não foi capaz de acabar. Porém, não foi preciso, eu entendi. Ele tinha-a atacado. Era óbvio. Ouvi-o lançar um suspiro profundo, como se um enorme peso se lhe fosse levantado dos ombros. – Ele é um covarde e mesquinho e aparentemente não possui as capacidade de lutar como um homem.


- Mas Parker – eu não ia desistir de defender o meu ponto de vista. – Isso tudo pertence ao passado. A um passado longínquo, não me podes fazer crer que o mesmo me acontecerá a mim. Ele nem sabe que tu namoras comigo. E mesmo que soubesse… Ninguém, sem ser tu, guarda ressentimentos durante tanto tempo.


- Dalillah… Por favor, uma vez, uma única vez na tua vida, ouve-me – pediu-me com um lamento marcado na voz.


- Parker, isto é uma grande oportunidade. Eu não a vou desperdiçar.


- Por isso, não me vais ouvir, certo?


- Lamento – e lamentava mesmo, mas eu não ia desperdiçar oportunidades assim. Recusava-me.


- Adeus, Dalillah – e foi assim que Parker acabou a chamada.


Abri a cama e entrei nos lençóis claros, que a cobriam.


Talvez não o devesse fazer. Talvez, aceitar aquela proposta não foi a atitude mais inteligente da minha vida. Talvez simplesmente a casmurrice estava a tomar conta da minha ocupada vida. Talvez o devesse ouvir, a ele, ao invés de mim própria.


Porém havia algo que ele não atingia. A ideia de que, ao contrário dele, as minhas opções estavam limitadas. Eu sabia que nunca teria grande carreira na representação, ou no canto. Tratavam-se apenas de distracções, de escapes, para quando a dança se tornava demasiado.


Tinha, no máximo, mais duas décadas de dança profissional e depois tudo acabaria, com uma lesão, ou com uma doença, ou simplesmente com o cansaço da vida. E depois disso, o que é que me restaria? Poderia formar uma escola, ou uma companhia, ou simplesmente dar aulas, mas nada disso seria suficiente. Nada seria suficiente, a não ser que eu pudesse olhar para trás e ver que tinha aproveitado todas as oportunidades que me foram lançadas para dançar.


Parker não conseguia ver isso, porque tomava como certos os seus únicos talentos, talentos esses que durariam para sempre.


Acabei por adormecer, sem qualquer intenções de o fazer.


Quando acordei, dirimi que não iria tomar nenhuma decisão sem falar com Jacques. Parecia-me razoável.


Levantei-me e enfiei a primeira coisa que encontrei no armário: uma camisola larga e grossa, de cor cinzenta, uma calças pretas e umas vans vermelhas. Atei o cabelo, que agora começava a ganhar raízes castanhas, numa trança, meio desfigurada e, após ter tomado o pequeno-almoço mais rápido à face da terra, saí daquele apartamento, para o meu ensaio com Mike.


Sabia que deveria ter esperado por ele, ou por uma das raparigas, porém, queria manter a minha cabeça o mais livre possível, para a minha conversa com Jacques.


Entrei na sala que tínhamos marcado, após me ter vestido, e calcei as sapatilhas de ballet.


As salas de dança eram do mais simples possível: quatro paredes azuis claras, uma delas, forrada a espelhos, as outras três com barras, uma aparelhagem e um piano de pé. Tal como tinha dito: simples.


Michael acabou por chegar, pouco tempo depois. E, tal como combinado, dançámos. Dançámos todas as coreografias que estávamos a dar em todas as aulas de dança, a todos os estilos e, quando acabámos, atirei-me para o chão, deixando-me a fitar o alto tecto caiado.


Mike fez o mesmo.


- Então falaste com o meu excelentíssimo irmão? – Perguntou, enquanto o suor lhe escorria pela testa.


- Vocês partilham telepatia, ou são somente demasiados genes em comum?


- Penso que os genes ajudam, mas as telecomunicações dão muito mais jeito. – Lancei-lhe um olhar confuso e ele arfou, antes de começar a falar novamente. – Ele ligou-me. Disse que estava preocupado contigo e pediu-me que mantivesse um olho em ti.


Aquilo simplesmente irritava. Não só ele contava tudo a Mike, como tinha de me julgar como uma donzela em apuros. Como é que era suposto eu confiar nele, se nem ele confiava em mim?


- Tu obviamente disseste que não, como o bom amigo que és – disse sarcasticamente.


- Ele é meu irmão, Taylor. Além de que eu também não concordo nada com esta tua decisão.


- Mas é minha. E o teu irmão não tinha nada que te contar isto! Odeio que me menosprezem desta maneira. Eu não sou assim tão ingénua.


- Mas pelos vistos casmurra, és – completou. – Taylor, não te zangues com ele – pediu-me. – Sabes que ele se sente culpado por se ir embora e te deixar sozinha, aqui.


- Eu não estou sozinha. Não estar com ele, não é sinónimo de estar sozinha.


- Taylor… Tu sabes o que é que eu queria dizer.


- Isto não faz sentido nenhum. Aquilo aconteceu há dois anos, Michael. O teu irmão bem que podia pôr isto para trás das costas. E mais que isso, podia não me ter arranjado um cão de guarda – resmunguei.


- Ele está preocupado contigo.


- Promete que não o vais fazer. Promete-me que não vais andar atrás de mim, Michael!


- Eu não prometo nada.


Saí dali, o mais depressa possível. Não estava para ouvir sermões, como se fosse uma criança. Tinha vinte anos. Já tinha idade para tomar as minhas próprias decisões.


Estava a percorrer o estreito corredor que ligava as salas de dança às de piano, quando choquei contra ele. Olhei-o de cima a baixo, com vontade de o esmurrar. Estava demasiado irritada para ter uma conversa franca, com quem quer que fosse. Porém soube que era necessário, assim, recompus-me e disse que precisava de falar com ele.


Entrámos na sala de piano e eu prontamente me sentei no banco de um daqueles imponentes instrumentos que estavam distribuídos pela sala.


- O que foi? – Perguntou-me ele, apoiando a cabeça nas mãos, que se apoiavam na parte de cima daquele piano castanho.


Expliquei-lhe a situação e vi a sua expressão mudar, à medida que falava. Primeiro raiva, depois angústia, talvez um pouco de vergonha, até. Só no fim é que se recompôs e me lançou um sorriso vago.


- Isso já foi há muito tempo – admitiu.


- Por tanto, não o desmentes? – Perguntei, para que não restasse nenhuma dúvida.


- Não. Eu admito que já fiz muita asneira na minha vida, mas arrependo-me disso. – disse, remetendo-se em seguida ao silêncio.


Ao olhar para o seu forte rosto, por momentos acreditei que isso fosse verdade. Talvez porque era aquilo que queria ouvir, ou então… Ou então, aquilo era mesmo a verdade e eu estava já demasiado embrenhada nos mirabolantes enredos de Parker.


- Isso quer dizer que vais desistir? – Perguntou, tentando desvendar a minha expressão. – Eu percebo-te… - disse tentando-me desculpar.


- Sabes que mais?! Não, não vou desistir. Conta comigo. – Ele sorriu-me e, após termos combinado um simples horário de ensaios, abandonou a sala, no momento em que a campainha soou.

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Urgente - Miss No one

por Jessie Bell, em 18.07.11

Olá gente. 


Fiz um novo blog. Um blog pessoal. Um blog privado. 


Tive de criar uma nova conta, pois  era a única maneira de o tornar privado (começo a odiar o sapo). Eu já estou a seguir toda a gente que sigo nesta conta. De qualquer modo, o link é www.aghost.blogs.sapo.pt


Sigam-me, please :D


 


P.S.: Actualizei a galeria de imagens :)

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Capítulo 38 - Jacques

por Jessie Bell, em 17.07.11

 


- Diz – acabei por lhe pedir, após ter caído na realidade.


- Não te vais apresentar? – Perguntou-me, suspendendo um sorriso.


- Se me vieste fazer uma proposta, deduzo que saibas quem eu sou.


- Verdade – concordou. – Mas não sei o teu nome.


- Dalillah Vanbeveroun – disse-lhe e apertei a mão que me estendeu.


- Não te interessa saber quem eu sou? – Mas o que é que ele queria afinal?


- Eu sei quem tu és. És o rapaz que me roubou o táxi, hoje à tarde.


Ele soltou uma risada demasiada mórbida, para soar natural.


- Peço desculpa. Mas na verdade, eu faço mais que roubar táxis. Tal como te disse, o meu nome Jacques, Jacques Livingston. Sou um aluno de dança, do terceiro ano.


- Ainda não me disseste qual era a proposta…


- Bem, tal como eu já disse, eu sou um aluno do terceiro ano e arranjei um trabalho de verão, como coreógrafo, numa companhia de bailado, cá em Nova Iorque. Eu preciso de alguém para testar as coreografias, para as fazer. Pois caso contrário não conseguirei realizar o meu trabalho. Serás paga, é claro – disse com um sorriso lânguido. - São solos de contemporânea. Soube que tu és muito boa a contemporânea.


Olhei-o de cima a baixo e, de repente, reconheci-o por algo mais, do que o nosso episódio do táxi:


- Tu és o Jack.


- O Jack?


- O Jack do Mr. Samparro. – Em todos os graus existia apenas um par que tinha o prazer de ingressa as gifted classes de Mr. Samparro.


No primeiro ano, era eu e Michael, no segundo, uma rapariga chamada Broke e um rapaz, Matt, no último ano, estava Jacques e… bem, não me lembrava do nome dela.


Afinal, era Jacques e não Jack… Mr. Samparro sempre se refira a ele como Jack.


- Ah. Sim, claro – acabou por dizer, após momentos de reflexão - Mr. Samparro recusa-se a chamar-me Jacques. Diz que é demasiado snobe e pretensioso… - Para dizer a verdade, Jacques parecia-me um bocado snobe e pretensioso.


- Quem te falou sobre mim?


- Eu. Vi-te a dançar, no outro dia. És boa. O que me trás de volta à minha pergunta.


- Não sei… Terei de sair de Nova Iorque?


- Não, claro que não. Então aceitas?


- Sim, porque não… - E apertei-lhe a mão que me estendia.


Quando cheguei a casa dirigi-me ao quarto de Jessica e de Melanie.


O quarto era terrivelmente cor-de-rosa, com duas camas de madeira clara, uma ao lado da outra e com montes de poster motivadores… Contei-lhes tudo. Um misto de surpresa com felicidade voou pelo quarto, até Jess dizer:


- Ele gosta de ti.


- Quem é que gosta de mim?


- O Jacques.


- Obrigada, Jessica. Ainda bem que achas que alguém poderia fazer-me uma proposta destas, simplesmente pelas minhas capacidades. – Disse sarcasticamente.


- Dalillah, eu não estou a dizer que não és talentosa. Sabes quem é que a parceira dele?


Abanei a cabeça, negativamente.


- A Charlotte Campbell.


O meu queixo descaiu uns bons dez centímetros, assim como o de Melanie.


A Charlotte era a melhor bailarina clássica, que aquela escola alguma vez tinha visto e, apesar do seu temperamento feroz, ela conseguia deixar toda a gente de boca aberta simplesmente por respirar.


- Ó meu Deus! – Exclamou Melanie. - Os fouettes dela são o meu objectivo de vida – suspirou.


- Que exagero… - disse. – E ainda não te percebi…


- Não achas, que ele lhe teria pedido a ela.


- Sei lá… Se calhar ele pediu-lhe e ela não tinha tempo… - atirei ao ar, enquanto me sentava na cama de Melanie.


- Concordo. Não comesses já a fazer filmes, Jess.


- Pois… pois… Não acreditem, se quiserem, mas é o que eu acho. Além de que é bem feito, após me tentarem juntar com o Kevin.


- A grande diferença é que eu já tenho namorado, amor. Além de que, evitas de usar o passado, nós ainda não desistimos.


- Eu não gosto dele. Gente chata!


- Pois não… Ela gosta do Michael – anunciou Melanie prontamente. O meu queixo voltou a cair e eu olhei para ela, incrédula.


- Mel!


- Isto é verdade? – Perguntei-lhe, ainda incrédula.


Ela arfou e atirou-se para a sua cara, claramente envergonhada:


- Sim, é. E a Melanie não tinha nada que dar com a língua nos dentes.


- Desculpa…


- Sabes que ele e a Lauren acabaram?


- O que é que isso me interessa? – Perguntou, após levantar a cara da almofada, onde a tinha enterrado. Claramente, interessava-lhe.


- O que é isso não te interessa?


- Mas o que é que queres que eu faça?!


- Credo Jess. Que sensível. – disse Melanie.


- O que é que querem. Obviamente ele não está interessado.


- Como é que sabes isso? – Perguntei-lhe.


- Porque… Por amor a Deus, Lillah. Já olhaste para ele? E já olhaste para mim?


Fiquei em silêncio, durante um momento.


- Ah! Era suposto haver um antagonismo…


- Não era suposto. Simplesmente há.


- Não há nada, Jess…


A conversa não foi muito mais longe, porém sabia que tinha de fazer alguma coisa por Jessica e por Michael…


Tentei falar com Kevin e com Josh, mas eles não me deram grande saída… O que significava que, sendo que não conseguia informações por meios distintos, tinha de ir à fonte original.


- Olá Michael! – Exclamei, quando lhe irrompi, pela porta do seu quarto, encontrando-o sentado na sua cama, com o portátil no colo.


- Já não se bate à porta, menina Vanbeveroun? – Perguntou.


- O que é que pensas da Jessica? – Perguntei, sem rodeios.


- O que é que eu penso da Jess? – Perguntou-me levantando uma sobrancelha. – Andaste a beber, Dalillah. Sabes que isso aqui é ilegal, pelo menos por mais um aninho.


 Michael Halle podia ser muito diferente do gémeo, a níveis físicos, mas, no que tocava à personalidade, tratava-se de uma perfeita geometria.


- Parece-te que andei a beber? Ainda não respondeste.


- Sei lá o que é que eu penso dela… Ela é simpática e talentosa, mas não somos todos?


- Por isso…?


- Por isso, o quê? O que é que tu queres, afinal?


- Eu quero que me digas o que é que achas dela.


- Mas o que é que isso te interessa, Taylor?


- Simplesmente, interessa. Eu sei que já olhaste para ela.


- É o que acontece quando possuímos olhos.


- Não estou a dizer dessa maneira… Tu sabes… Já olhaste para ela.


- A sério, Dalillah, o que é que tu tomaste? Queres que ligue ao meu irmão?


Pronto, definitivamente, estava enganada, ao contrário de Parker, Mike não conseguia entender indirectas. Desisti:


- Michael! Gostas dela, ou não?


- O que é que isso te interessa?


- Isso é um sim?


- Sei lá… Nunca pensei nela dessa maneira…


Fiz beicinho, perante aquela desoladora afirmação.


- Ela gosta de ti – afirmei, suspirando.


- Estás a falar a sério? – Perguntou, soltando uma gargalhada.


- Não te rias, seu anormal!


- Ok… ok… Desculpa. Mas apanhaste-me de surpresa…


 Acabei por contar a Michael tudo o que tinha acontecido com Jacques e ele pareceu bastante surpreso…


- Deduzo que ainda não tenhas falado com Parker, sobre isso.


- Porque é que deduzes tal coisa? – Perguntei, surpreendida.


- Porque se já lhe tivesses dito isso ele já te tinha dito algumas coisas que te tinham feito mudar de ideias.


- Do que é que estás a falar, Mike?


- De… Esquece. Fala com ele primeiro.


Entrei no meu quarto, em direcção a mais uma noite mal dormida.


Comecei a pensar em tudo aquilo. Naquilo que Michael me tinha dito sobre Parker e Jacques. O que é que tinha acontecido, entre aqueles dois?


Peguei no telemóvel, marquei o familiar número de Parker e pressionei a pequena tecla verde.

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Capítulo 37 - Proposta

por Jessie Bell, em 14.07.11

 


Vou dedicar este capítulo à Fashion Brand, porqque ela é fofinha e eu gosto dos post dela, e porque ela é fofinha e eu hoje estou feliz e ela é fofinha. Vejam o blog dela aqui


 


Regressei ao apartamento com vontade de esmurrar alguém. Sentia-me enervada e comichosa e má. Queria descarregar em alguém. Queria dizer que aquilo tudo estava mal. E queria ir a L.A., simplesmente para o ir buscar por uma orelha, apesar do seu voo ainda não ter aterrado.


Deitei-me sobre a minha cama e bufei irada. Apetecia-me fazer uma cena e começar a rasgar almofadas com tesouras e a partir coisas.


Não o fiz (graças a Deus, ainda me restava algum resquício de sanidade).


Ouvi baterem me à porta.


Não respondi.


Voltaram a bater. Até que me arrastei da cama e a abri, com um falso sorriso nos lábios.


Era Melanie, com aquele sorriso maroto nos lábios, que me entretinha durante as entediantes aulas de sábado à tarde.


- Olá Melanie – disse, quando a encontrei observando-me de cima a baixo, sem proferir uma palavra.


Após uns momentos, pareceu voltar a ela.


- Olá. Queres vir às compras?


Tive vontade de fechar-lhe a porta na cara. Aquela rapariga conseguia não ter qualquer tipo de sensibilidade… Sabia que não o fazia por mal. Era da sua natureza e a verdade é que os domingos eram de facto dias bastante entediantes, sendo que ficávamos confinados aos nossos apartamentos, ou então saímos.


- Melanie, por favor. – Implorei-lhe com os olhos.


- Oh, por favor digo eu, Dalillah. A Jess está a estudar e eu preciso de comprar coisas para as aulas de ballet. Os meus maiôs estão todos arruinados. – Olhou para mim com os seus ovais olhos castanhos, como um cão que acabara de ser abandonado. – Eu pedia a um dos rapazes, mas eles depois ponham-se a comprar coisas impróprias para eu ver. Por favor – voltou a implorar.


- Argh! Está bem. Consegues ser tão chata.


- Gosto muito de ti.


- Pois, pois. O que te vale é que eu também preciso de comprar umas coisas. - disse, enquanto apanhava a carteira do chão,  num movimento demasiado rebuscado.


- Sim, como se o teu roupeiro já não estivesse a abarrotar…


Apanhámos um táxi e dirigimo-nos ao centro da Big Apple.


Lá entrámos numa loja destinada apenas à venda de artigos de dança.


Fartámo-nos de experimentar coisas. Era pena, o facto de só podermos usar maiôs pretos, pelo menos para as aulas da Mrs. Baranova, que era rígida como uma estaca. Para ela, todas nós tínhamo-nos de vestir igual, para poder observar melhor os nossos movimentos e linhas. Mr. Samparro, por outro lado, não se importava com isso. Por ele podíamos ir nus, que ele não queria saber, acho.


Melanie apreciava tanto uma boa tarde de compras, como eu e isso alegrou-me e distraiu-me.


No final, acabei por comprar apenas um novo maiô preto, que tinha um corte completamente diferente, tendo as costas abertas e com umas alças grossas que rodeavam-me o pescoço. Já que estava para irritar alguém, pelo menos que irritasse alguém que não podia ficar zangado comigo a níveis pessoais. Comprei também outro, em tons de verde marinho, simplesmente porque as minhas pontas verdes eram demasiado confortáveis, para estarem sentadas numa prateleira. Poderia usá-las nas gifted classes.


Saímos da loja com os sacos e esperámos novamente por um táxi. Pena não ser tão fácil como nos filmes…


Finalmente um veículo amarelo e vazio apareceu e eu e Melanie corremos apressadas para ele, tentando fazer com que ele parasse. No entanto, um rapaz moreno e musculado, com o cabelo escuro a cobrir-lhe o rosto parcialmente, chegou ao táxi, primeiro e entrou nele.


- Não! – exclamou Melanie,  com vontade de correr atrás do táxi e forçar o rapaz a abandonar o carro.


- Isto é Nova Iorque. Os táxis, supostamente deviam estar sempre a passar. Não ficaste com o número da central? – Perguntei esperançosa.


- Não… Estamos condenadas a ficar aqui.


- Desesperas muito facilmente rapariga – disse, levantando uma sobrancelha. – Podemos telefonar a Mike, para nos vir buscar…


Entretanto, e felizmente, um táxi passou e eu fiz-lhe sinal com veemência para que ele parasse. Assim o fez.


Entrámos e Melanie sorriu-me de uma maneira muito própria e eu retribuí-lhe o sorriso, enquanto dizia ao motorista a morada, para onde nos dirigíamos.


Quando chegámos, pousei as coisas na cama e fui à cozinha para me preparar um jantar rápido.


Comi uma salada e nada mais. Tomei banho, enfiei-me no pijama e após ter guardado as minhas mais recentes compras. Deitei-me na minha cama e tirei da mesa-de-cabeceira o livro que continha a peça “Uma Longa Jornada para a Noite”.


Aquele livro, apesar de ser um dos meus favoritos, deprimia-me. A forma como a mãe desprezava a família. Como todos eram dependentes. Não existia uma única personagem naquela peça que fosse sã. Que fosse o herói. Eram todos uma cambada de gente deprimente. Eram a verdadeira representação da vida, na sua mais trágica forma. De certa forma, aquele livro, simplesmente dava-me esperança… Quer dizer, não era difícil que a minha vida fosse melhor que a deles.


Quando finalmente adormeci, eram já duas e meia… Teria de voltar a aprender a dormir sozinha.


 


Acordei com a claridade que transparecia por entre as finas cortinas da janela. Olhei para o relógio e ia caindo da cama quando vi as horas. Eram dez e meia.


A aula de piano já estava perdida. Mas às onze começavam a de pa de duex, o que significava que tinha de correr.


Saltei da cama, vesti a primeira coisa que encontrei no roupeiro, escovei os dentes e irrompi pela porta do apartamento o mais depressa que me foi possível.


Quando cheguei à sala de dança, Michael olhou-me com um ar de quem me queria matar.


- Desculpa – sussurrei-lhe.


Ele voltou a olhar para mim com o mesmo ar zangado.


Aquecemos e começámos a aula, um pouco atrasados, tendo recebido um olhar feroz de Mr. Samparro. Quando a aula acabou, Mr. Samparro deu-nos um enorme sermão sobre pontualidade e responsabilidade e mesmo quando lhe disse que a culpa era inteiramente minha ele referiu que, sendo nós um par, o que um fazia era o que o outro fazia.


Michael saiu da sala obviamente bastante chateado. Segui-o:


- Desculpa, Michael.


Puxei-o pelo braço, enquanto ele tentava atravessar o corredor cheio de gente.


- Esquece, Taylor.


- O que é que se passa? – Nunca o tinha visto tão chateado…


- Nada. Não estou a ter um bom dia.


- Porquê?


- A Lauren… - abanou a cabeça e largou o seu braço da minha mão, que ainda o agarrava.


- Mike! A Lauren, o quê? O que é que aconteceu? – Perguntei, voltando a persegui-lo, pelo corredor fora.


Encostou-se furiosamente a uma parede e fechou os olhos, respirando fundo.


- A Lauren e eu... A Lauren acabou comigo. – Acabou por proferir.


Olhei para ele com um ar de choque, que tentei conter, para não o perturbar, mais.


- O quê? Porquê?!


- Porque… Olha, não faço a mínima ideia porquê. Simplesmente fê-lo. Disse que eu já não era suficiente.


Olhei para ele, atónita. Eu tinha conhecido Lauren e ela nunca me tinha parecido capaz de fazer tal coisa…


 - Demorou seis anos e muitas discussões com o meu pai até perceber que eu não era suficiente.


- Lamento. – Disse-lhe, colocando-lhe a mão, no ombro robusto.


Abraçou-me, inesperadamente, suspendendo-me no ar e deixando-me sem ar. Era a mesma coisa que abraçar um urso.


- Michael… Estou a ficar sem ar.


Finalmente, pouso-me no chão e olhou-me pesarosamente.


- Amanhã de manhã ensaiamos – prometi-lhe.


- Obrigado – disse, enquanto me abandonava.


O resto das aulas, nesse dia, passaram com uma enorme rapidez e à noite decidi ir ensaiar, para poder compensar Michael, no dia seguinte.


Tinha marcado a sala de dança número três e foi para aí que me dirigi, quando abandonei o apartamento, após uma breve pausa, à tarde.


Estreei o meu novo maiô verde, juntamente com as pontas e fui para a sala, deparando-me com a tão “agradável” Kate.


- Olá! – Exclamou, quando me viu.


- Eu tinha marcado esta sala – disse, olhando para o horário com as marcações, que estava pendurado, ao lado da porta.


- Oh desculpa. Distraí-me com as horas. Saio já. – Assim o fez, deixando-me surpreendida com tanta bondade.


Liguei a música e comecei a fazer exercícios básicos na barra, após ter aquecido.


Estava a apreciar o meu momento de concentração. O meu pequeno momento de perfeição. Até largar a barra e me lançar num pequeno improviso de ballet contemporâneo. Já não estava a fazer nada de produtivo, sabia disso. Mas estava a divertir-me, coisa que já não fazia há algum tempo.


Quando parei e olhei para o grande espelho da ampla sala, observei uma cara desconhecida, que acabei por classificar como familiar: era o mesmo rapaz, homem, que me tinha roubado o primeiro táxi, a mim e à Mel.


- Olá! – Exclamou, encostado à ombreira da porta.


Olhei para ele, observando melhor o seu rosto. Era surpreendentemente bonito. O cabelo escuro cobria-lhe o rosto até ao maxilar. Os olhos eram de um castanho claro, aproximando-se do âmbar e o nariz era distinto, dando-lhe carácter à cara forte.


- O meu nome é Jacques. Queria fazer-te uma proposta.

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You told me I was like the dead sea. You never sink when you're with me.

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