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Capítulo 33 - Analgésico

por Jessie Bell, em 21.06.11
Mais uma  vez, o design foi feito pela Happy Sweet Designs. Ela é tão fofa *.* Obriga C., ficou fantástico.

 


A vida que estava a levar cada vez mais correspondia às minhas expectativas. Tinha tudo: a família simpática, o namorado perfeito, o talento e, agora, um futuro. Uma luz  ao fundo do túnel que se acendia e que me dava esperança. Idealizei tudo isto já há muito. Quando tinha doze anos, já sabia o que queria, porém sempre que olhava para o futuro, tudo o que via era uma ténue linha que desenhava algo que eu não desejava: medo, falhanço, rotina…


Mas agora podia agarrar-me a algo mais, a algo físico. A algo real. Porque agora podia ter uma conversa casual com Mariana, podia beijar Parker e podia olhar para aquela carta, que agora estava pousada em cima da minha pálida mesa-de-cabeceira e ler por entrelinhas que agora possuía reconhecimento, agora possuía um futuro.


Acordei com o calor a assombrar o meu corpo e quando, após alguma preguiça, abri os olhos, vi que esse calor provinha do ardente corpo de Parker. Coloquei-lhe uma mão na testa e senti-a arder por debaixo da minha mão. Ele estremeceu e abriu os olhos, que fitaram os meus.


- Credo! Porque é que estás a olhar assim para mim?! - Perguntou, quando viu a minha expressão de susto.


- Porque estás a arder em febre.


- Não estou nada. - Respondeu, levando a sua própria mão à testa.


- Parker, então é assim: lá porque eu não te consigo carregar por dois vãos de escadas, não quer dizer que não te consiga obrigar a ficar aí deitadinho.


- Lillah são cinco da manhã… - disse, resmungando.


- Não, não são. São nove e meia da manhã e hoje é o meu dia de descanso e pelos vistos o teu também.


- Argh! Consegues ser tão chata mulher! - Disse, lançando-se para a cama.


- Escolha inteligente.


- Tu não tens mais que fazer? Como, preparar um solo, ou assim qualquer coisa?


- Podes parar de ser ingrato e deixares-me cuidar de ti, uma vez na vida?


- Eu estou bem.


- Pára! Já! Fica! Aí! Agora!


- Da… - cobri-lhe a boca com a minha mão e implorei-lhe com os olhos para que não falasse.


- Por favor, Parker.


Ele suspirou e voltou-se a recostar na cama. Tirou da mesa-de-cabeceira uma caixa de comprimidos e em seguida engoliu um, sem água. Olhei para ele embasbacada e ele fitou-me, com os seus olhos cinzentos semi-cerrados.


- Epilepsia - lembrou-me.


- É por isso que estás com febre?


- Não. Mas se não tomar o comprimido, tu passas-te dos carretos, quando me vires aqui.


- Nem te atrevas.


- Não me atrevo a quê?


- Nem te atrevas a ter um ataque de epilepsia, enquanto estiveres ao pé de mim.


- Obrigado. Com que então querias tratar de mim…


- Estou a falar a serio. Eu morria de medo.


Ele soltou uma leve gargalhada e eu revirei os olhos.


- Eu aviso-te.


- Tu consegues saber quando é que vais ter os ataques?


- Depende… Porque eu tenho dois tipos de ataques diferentes. Um é aquele que, como sabes, as pessoas parecem ter convulsões, outro é aquele em que eu permaneço imóvel durante duas horas.


- Como assim imóvel?


- Não me mexo. Não me consigo mexer. Ouço tudo e vejo tudo, mas não consigo fazer nada. É como eu ficasse preso no meu próprio corpo.


- Isso deve ser assustador.


- E é.


- Por favor! Que nunca tenhas um ataque ao pé de mim.


- Lamento dizer-te, mas já tive, para aí umas duas vezes.


- Estás a falar a sério?


- Sim. Quando estávamos em Houston, eu um dia acordei às cinco e meia da manhã, com as mãos a tremer e, quando dei por mim, não me conseguia mexer. Mas passado uma hora, á tinha voltado a mim.


- Isso não te assusta?


- Ao início sim. Agora já não.


Sentei-me na cama e encostei-me a ele, porém o seu corpo ardente fez-me recuar.


- Deus Parker, estás em brasa.


- Obrigado.


- És tão idiota. Vou buscar um termómetro e um comprimido e já volto.


Dirigi-me à casa de banho, que pertencia às raparigas e em movimentos ágeis, retirei o termómetro do invólucro.


Entrei no quarto e olhei para Parker, que estava com os olhos fixos num único ponto do quarto. Assustei-me de morte e, da maneira mais rápida possível, fui ter com ele e abanei-o freneticamente.


- Credo! – Exclamou ele, fitando-me com os seus belos olhos cinzentos.


- Credo: digo eu! Achas isso bem, Mortimer?


- Tu obviamente não queres sair daqui com vida – Parker arrebatou-me e puxou-me para ao pé de si, fazendo-me aterrar no seu peito. Virou os seus lábios para o meu pescoço e enterrou-os aí, violentamente.


- Tu não estavas doente?


- Tudo fachada!


- Então, com licença, tenho mais que fazer – respondi, levantando-me daquela cama, meio desfeita.


- Desculpa lá, tu é que disseste que eu estava com febre. E dói-me a cabeça.


- Toma – disse, estendendo-lhe o termómetro. – Vou-te buscar um comprimido.


Quando voltei a entrar no quarto, ele olhou para mim com um sorriso aberto, devido ao facto de eu me ter esquecido das muletas e ter ido o caminho todo ao pé-coxinho.


- Toma – disse. Dando-lhe os comprimidos.


Ele tomou o comprimido e passado pouco tempo já tinha adormecido. E eu aproveitei esse tempo para ir ensaiar o meu solo, que ainda não tinha mínima ideia de como o ia fazer.


Já tinha começado a conseguir fazer alguma coisa, quando o ouvi.


- O que foi, Parker?


Ele começou a olhar para mim e partiu-se a rir, sem nenhuma razão aparente.


- Estás bem? – Perguntei, colocando-lhe uma mão na testa. Já não estava com febre, isso era certo.


-És bonita… - disse arrastando a voz.


- O que é que se passa contigo? – Aquilo começava a preocupar-me e sentei-me ao seu lado, à espera que ele se acalmasse.


- Queres namorar comigo? – Perguntou com um sorriso.


- Tu não te dás muito bem com comprimidos, pois não? – proferi, enquanto lhe dava um beijo na testa.


- Schhh…. Eu tenho namorada.


- Oh Deus… tu estás completamente pedrado, não estás?


- Um bocadinho – disse rindo-se.


- És mais bonita que a minha namorada.


- Parker, dorme.


- Mas acho que gosto mais da minha namorada.


- Ainda bem.


- Ela é parecida contigo.


- Vá-se lá saber porquê.


- Eu sei! É estranho.


- És tão idiota.


Nesse momento, Michael entrou no quarto.


- O que é que se passa com ele?


- Olé! Ebenese, meu irmão. Dalillah, este é o Ebenese.


- Ele estava com febre e eu dei-lhe um comprimido e ele ficou assim.


- Está bem?


- Completamente pedrado, mas acho que sim.


- Mentirosa!


- Queres que fique com ele?


- Não, eu aguento.


Após me ter desejado boa sorte, Mike abandonou o quarto.


- Ebenese?


- Ah! Tu não sabes! Ele chama-se Michael Ebenze George Halle VI.


- Tu estás completamente avariado.


- É capaz… Olha…


- Diz.


- Olha…


- Diz, Parker.


- Eu gosto de ti.


- Ainda bem.


- Não vais dizer que gostas de mim?


- Neste momento o meu rácio de amor que nutro por ti é muito pouco.


- O que é que quer dizer rácio?


- Oh Deus! Quantos dedos estão aqui? – Perguntei levantando quatro dedos.


- Cinco. Olha – explicou, levantando-me a mão – um, dois, três, quatro, cinco – disse, levantando o dedo que estava baixado.


- Eu queria dizer levantados.


- Ah!


- Não tens sono?


- Não! Quero ficar aqui! Contigo! – Gritou.


- Credo Parker, não é preciso gritares.


- Quero fazer sexo contigo… - disse num lamurio, enquanto eu suspirava e revirava os olhos.


- És tão… Por amor a Deus!


- Por favor…


- Ok, esquece, eu vou chamar o Mike. Ele que te ature.


- Não! Fica! Eu não quero o Ebenese. Quero te a ti – disse abraçando-me a cintura, impedindo-me de mexer.


- Ok. Mas então cala-te, pode ser?


- Eu não me lembro como é que isso se faz.


- É assim – disse colocando-lhe a minha mão na sua boca, impedindo-o de falar.


Ele retirou a minha mão da sua boca e sorriu-me.


- A tua mão cheira bem.


- Tu estás-me a matar.


- Não! Não morras, Lillah!


- Parker, o que é que eu já te pedi sobre os gritos?


- Schhhh…


- Sim, isso.


- Vais-me dizer que gostas de mim?


- Vais parar de gritar?


Ele assentiu, selando os lábios.


- Então sim, gosto muito de ti – disse afagando-lhe o cabelo. Não demorou muito até ele adormecer e isso deixou-me muito feliz. Agora era tempo de voltar a trabalhar no meu solo.


 


Gente, já só vou poder postar depois de 1 de Julho, porque vou para Itália 8D Isto está um bocado a engonhar, mas pronto.


 


 


 


 


 


 

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publicado às 12:10


12 comentários

De Rita a 21.06.2011 às 12:46

ADOREI este capitulo xD este parker é a moca total, nem sei como é que ela o atura. mas a sério, este capítulo está lindo, ri-me do inicio ao fim :D

De Marta a 21.06.2011 às 12:50

Adorei, adorei, adorei!
As pessoas pedradas são super divertidas.
Adoro mesmo.
Continua!
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Adorei, adorei, adorei! <BR>As pessoas pedradas são super divertidas. <BR>Adoro mesmo. <BR>Continua! <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Bjs</A> !

De Rita a 21.06.2011 às 12:52

Está maravilhoso!
Adorei, adorei, adorei!
Por favor não pares de escrever.

De Annie a 21.06.2011 às 14:55

Que sorte, itália :D
Adorei <3

De copodeleite a 21.06.2011 às 15:04

Vou andando. as coisas já estão mais calmas, pelo menos. :) foste tu que ma mostraste e agora tou viciada nela.

De copodeleite a 21.06.2011 às 15:10

A música é uma droga saudavel, ao menos. :)

De copodeleite a 21.06.2011 às 15:16

Só não leio a tua história por motivos de falta de tempo. Mal acabar os exames, será a primeira coisa a fazer. :) o video é o que tens neste post? A minha perspectiva dele, é?

De copodeleite a 21.06.2011 às 16:33

Após ter visto e revisto o video, tenho de salientar a coreografia. Está apaixonante. A maneira como sincronizadamente eles se movem. Como cada gesto é feito com uma precisão enquadado na musica. Está sublime. O que posso aferir com este video pareceu-me uma dança entre um casal não sei ao certo se há amor entre eles mas uma paixão, uma atracção física entre os dois brutal. Tem um tanto componente sexual. Ambos seduzem-se mutuamente. E ao espectador. :) não sei se era isto que pretencias mas é a minha opinião. desculpa a demora.

De copodeleite a 21.06.2011 às 17:52

Como assim? Oque é qe achas do video?

De Dih&#39;h ◕‿◕ a 22.06.2011 às 10:45

O Parker é um cromo xD
Quem é que fica mocado por causa de um comprimido?!
ahahahahah...essa foi mt boa!
Aproveita essas férias :D

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You told me I was like the dead sea. You never sink when you're with me.

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