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Capítulo 29 - Desculpas e razões

por Jessie Bell, em 09.06.11

 



Quando o avião aterrou, senti o meu estômago colar-se às costas. Por um lado, desejava que ele estivesse à minha espera, como o tinha feito anteriormente. Por outro, era demasiado covarde para o confrontar e sabia que só quereria que ele estivesse à minha espera, se, realmente, nada disto tivesse acontecido.


 Quando cheguei à entrada do aeroporto, ele não estava lá e isso agradou-me.


 Apanhei um táxi e dirigi-me para o apartamento.


 Quando lá cheguei vi que estava vazio. O meu coração parou de bater descompassado e, assim, pude cambalear para o meu quarto, em paz.


 Eu ia ter de falar com ele, não era? Não podia continuar a esconder-me. Afinal de contas ele vivia na mesma casa que eu. Tínhamos aulas, juntos. Quer, quisesse ou não, as nossas vidas cruzar-se-iam sempre. Por isso, eventualmente, teríamos de falar sobre o que aconteceu.


 Desejava que aquilo tivesse sido apenas um mal entendido. Uma coincidência. No entanto, como poderia ser, quando eu o vi com os meus próprios olhos? Quando em nenhum do e-mails me explicava isso. Limitava-se a pedir desculpa e eu não o conseguia desculpar se não soubesse a razão.


 Ele ainda a amava? Se sim, como poderia eu desculpar isso?


 


 O momento do confronto chegou mais cedo do que eu pensava.


 - Precisamos de falar. – Disse ele, quando me apanhou sozinha, na cozinha do apartamento.


 Por momentos, permaneci em silêncio. Queria mandá-lo embora e forçar-me a não o confrontar. Porém, pela primeira vez, desde muito tempo, a razão venceu a minha teimosia.


 - Diz.


 - Desculpa – disse com uma súbita melancolia na voz.


 - Já disseste isso – disse com a voz ríspida.


 - Não sei que é que hei de dizer mais – confessou.


 - Como é que não sabes? Para é que querias falar comigo então? A sério que não sabes o que é que eu queria que me dissesses. Sabes, durante este tempo todo em que estive em Portugal, desejei, do fundo do meu coração, que isto fosse um engano. Uma daquelas estúpidas coincidências, que só acontecem nos filmes. Mas nem isso. Tudo o que me dizes é desculpa. Andaste-me a trair este tempo todo e tudo o que dizes é “desculpa”. Que razões tenho eu para te desculpar? E afinal de contas, porque é que me pedes desculpa, se ela vez exactamente o mesmo e tu não a desculpaste?  


- Lillah, eu não te andei a enganar este tempo todo, nem pouco mais ou menos. Eu beijei-a, só isso. Não significou nada.


 - Para ti. Para ti, pode não ter significado nada. Mas, para mim, foi a compilação de todos os meus medos. Eu tinha a certeza de que isto ia acontecer. Tinha a certeza que me havias de trair. Porém, sempre que pensava nisso, o que me acalmava era achar que tu nunca o farias, porque também já foste traído, por também já foste magoado. Como é que queres que te perdoe, quando sabias exactamente o tipo de dor que me estarias a infligir, caso o fizesses?


 - Ly, perdoa-me, por favor. Eu não sei o que te hei de dizer mais. Foi algo estúpido e imponderado, baseado naquilo que eu já senti nela há muito tempo. Mas eu amo-te. A ti.


 - E eu também já amei alguém muito parecido contigo, mas sinceramente, agora não o reconheço.


 - Eu estou aqui. Lillah, eu amo-te. – Proferiu, agarrando as minhas mãos.


 Olhei para o seu rosto que desenhava uma expressão de pura agonia. Os seus olhos, estavam a encher-se de lágrimas e os seus dentes comiam os seus lábios.


 - Sabes porque é que eu não te consigo perdoar. Porque agora, sempre que vejo a tua cara, sinto vómitos. Sempre que olho para os teu olhos… Sempre que olho para os teus olhos, vejo os olhos que me prometeram o mundo e que depois, de repente, se fecharam, para beijares outra pessoa. Sempre que olhos para os teus lábios, lábios esses que já acariciaram os meus, só os consigo ver agarrados aos de Kate. Agora, sempre que sinto as tuas mãos, só as visualizo a agarrarem o rosto de Kate, tal como fazias comigo. Por isso, não me digas que não significou nada para ti. Porque aquilo que fazias comigo, fizeste com ela e, se não significou nada para ti, então todas as vezes que o fizeste comigo, também não significaram nada para ti.


 - Ly! – Exclamou.


 - Não, não digas mais nada. Não vales a pena o meu tempo.


 Saí dali o mais depressa que consegui. Porém não chorei. Ele não merecia as minhas lágrimas. Não vacilei.


 Fui para as aulas e essas não podiam ter corrido pior. Para além de quase ter caído no pa de deux, com Michael, e este ter ficado muito chateado, também não consegui fazer nada de produtivo no resto do dia.


 Eu precisava de me concentrar. Só não sabia como.


 Passei o serão todo no auditório a ensaiar aquilo que tinha falhado na aula de ballet. A minha vida já estava demasiado má, como estava.


 Cheguei ao apartamento à meia-noite, já que não ia dormir nada, mais valia tornar o meu tempo produtivo.


Deitei-me na cama, à espera que o sono invadisse o meu corpo cansado, apesar da minha cabeça não o deixar.


 Acordei a gritar, com o corpo suado, devido ao pesadelo, que se tinha apoderado dos meus pensamentos.


 Era assim tão difícil obter um momento de paz? Um momento sem sofrimento.


Levantei-me, sentando-me na cama e olhei para o relógio. Eram cinco e meia da manhã. Virei-me e revirei-me na cama, mas o sono não chegava. Por isso levantei-me e fui à cozinha para tomar o pequeno-almoço e sair daquela casa o mais depressa possível.


Quando lá cheguei, ele já lá estava. Sentado, comendo as suas papas de aveia.


Senti a urgência de me ir embora, porém o roncar do meu estômago fez-me ficar.


Fui ao armário e num silêncio monótono, retirei uma caneca desenxabida, onde depositei leite, que bebi de imediato, junto ao balcão.


- Não conseguias dormir? – Perguntou ele.


Assenti com a cabeça e ele voltou a cabeça para o prato cheio daquela mistela odiosa.


- Durante quanto tempo é que vamos continuar assim? – Perguntou com uma tristeza agonizante na sua voz.


- E que tal para sempre?


 - Nunca me vai perdoar, pois não?


- Não.


- Isso quer dizer que já não me amas?


- Quer dizer exactamente o contrário idiota. Eu amo-te e tu sabias disso e, no entanto, isso não te impediu. E como, quer eu queira quer não, eu vou sempre ter sentimentos por ti, eu nunca te vou perdoar.


- Então não me ames!


- A culpa é tua Parker.


- Lillah, vais ter de me perdoar um dia.


- Não, não vou. Pensas que vou, mas não vou. 


 

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publicado às 19:28


7 comentários

De Marta a 09.06.2011 às 20:40

Adoro, adoro e adoro!
Agora quero o próximo capítulo.
Vais ter de escrever mais, por favor.
Continua com o bom trabalho.
Bjs!

De Starfloo Malfoy a 10.06.2011 às 09:19

Claro :)
A mim faltam 8 dias certinhos para as aulas acabaram sem feriados ou fim de semanas :P
Estuda mt ^^

De ♥ C. a 10.06.2011 às 09:32

Há que ter calma, quando acabar as encomendas todas e não tiver mais testes :$ Isso é tipo na proxima quarta xP

De Rita a 11.06.2011 às 10:27

Ainda bem que não era so uma coincidencia dos filmes, senão eu ficaria muito chateada. (usaste essa expressão).
Adorei! Continua
Beijinhos

De mc a 11.06.2011 às 11:47

Obrigada!
Eu tive a ler a tua historia e adorei!
Posta rapido.

De Filipa Augusto a 13.06.2011 às 11:49

Eu amo a tua Fic
tá tão Linda *-*
Continua

De NattahL a 14.07.2011 às 19:45

Coitada da Lilah :c

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