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Capítulo 27 - Eu amava-o

por Jessie Bell, em 07.06.11

Aquilo que senti, quando avistei aquele cenário aterrador, foi, sem dúvida alguma, o meu próprio holocausto.


Os seus lábios a moverem-se ao mesmo ritmo dos dela, tal como fazia comigo. A sua língua a acariciar a dela, tal como fazia comigo. As suas mãos a segurarem o seu rosto, tal como ele fazia comigo.


Tal como ele fazia comigo… E tal como ela fez com ele, também ele me estava a trair. Ali debaixo dos meus olhos.


Parker beijando Kate. Enquanto tudo o que eu queria era uma despedida calorosa, para ir em paz celebrar o meu feliz Natal, em Portugal.


O beijo parou e ele, finalmente abriu os olhos e olhou para mim, a sua cara ficou exangue e Kate esboçou um sorriso na minha direcção e eu fugi dali, como a covarde que sou, com as lágrimas salgadas a banharem-me o rosto.


Parker seguiu-me, ouvi o seu passo acelerado, atrás do meu. Ouvi a sua voz rouca a gritar o meu nome. E não olhei para trás.


De repente, senti o seu braço a puxar o meu, tentei-me debater, porém, por falta de vontade, ou de força, não consegui.


- Lillah, deixa-me explicar – implorou, quando finalmente olhei para a sua cara pintada de pura agonia.


- Não precisas. Pelos vistos, não estou assim tão cega.


- Lillah, tu não estás a perceber!


- Descansa que eu percebi tudo muito bem! Adeus, Parker – disse com a voz a falhar-me, sibilando cada palavra.


- Ly, por favor, ouve-me.


- Tenho a certeza que a Kate está à tua espera. É melhor ires ter com ela. – E dito isso, saí dali o mais depressa possível, deixando lá qualquer resquício de amor, que pudesse sentir ainda por ele.


Apanhei um táxi e, em pouco mais de duas horas, já estava no avião.


Adormeci banhada em lágrimas. O meu coração latejava e o meu cérebro inquiria-me para descobrir a razão para tal acto.


Confiava nele. Dei-lhe o meu coração, dei-lhe a minha alma. E ele agora tinha ficado com os dois. E com o que é que eu fiquei? Com nada! Absolutamente, nada.


Lembro-me de sempre ter tido tanto medo do “nada” e agora, que o experienciava, descobri as razões para o meu medo.


A cena repetia-se na minha cabeça, como um cassete, que não mudava. E sempre que me voltava a lembrar, sentia-me suja. Por o ter beijado, por lhe ter tocado. Por já o ter amado. Por lhe ter dado uma parte de mim, que nunca mais iria recuperar.


Talvez me perdoasse a mim mesma, um dia. Mas não a ele, nunca a ele. Porque o amava demasiado para ele me fazer isto.


Ele sabia disso. Ele sabia que eu o amava, que o queria, que o desejava, de todas as maneiras possíveis.


Então porquê?


Significava assim tão pouco para ele?


E de repente percebi. Tudo o que me dissera. Tudo o que me prometera. Tudo isso tinha sido mentiras. Um enorme monte de mentiras, com as quais eu me saciei, sem pensar duas vezes.


 


O avião aterrou e fiquei agradada pela minha família não estar toda à espera, como disseram que fariam. Pela primeira vez, fiquei contente pela minha família não cumprir o prometido.


Em vez disso veio apenas Mariana, que abracei com força, para segurar os bocados que estavam a cair de mim.


- O que é que se passa? – Perguntou a minha gémea, entrelaçando os seus braços nas minhas costas.


Expliquei-lhe tudo. Deixei a minha voz sibilar em murmúrios tudo aquilo que tinha acontecido. Deixei o meu coração aliviar a dor latejante que estava a sentir, desabafando tudo aquilo, que estava preso de dentro de mim.


Quando acabei, quando disse tudo o que tinha a dizer, a minha cara estava banhada em lágrimas.


Marina afagou o meu cabelo e prometeu-me que tudo iria ficar bem, mas eu não conseguia acreditar em mais promessas. Simplesmente, não me era possível.


 


Vagueámos para casa, sem qualquer tipo de pressas. Não tinha vontade nenhuma de chegar a a casa, pois sabia, que assim que entrasse naquela casa, uma jorrada de perguntas cairia sobre mim. Perguntas para as quais não tinha respostas.


Porém, por me ter conseguido recompor, até o caminho a casa, ninguém fez perguntas desconfortáveis. Graças a Deus.


Subi até ao meu quarto e deitei-me sob a minha cama, depositando o meu corpo cansado e, sem qualquer vontade de permanecer acordada, caí num sono profundo e comecei a sonhar com ele.


Por muito que não o desejasse, Parker Halle, tinha sido alguém deveras importante para mim. Aquilo que me disse. Aquilo que fez por mim. Por muito que quisesse, nem o tempo apagaria isso.


Amava-o. E acreditava que também ele me tinha amado. Mas qualquer tipo de amor baseava-se em confiança, confiança essa que tinha sido abalada e que nunca mais seria reposta.

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publicado às 22:46


7 comentários

De Marta a 07.06.2011 às 23:01

É muito triste.
Agora já não adoro.
Continua.
Bjs!

De Rita a 07.06.2011 às 23:06

Não acredito que puseste a Dalillah a ver o Parker a traí-la! Ele traiu-a mesmo ou é so uma daquelas coincidencias estupidas dos filmes e das telenovelas em que uma pessoa apanha outra a "trai-la" e se recusa a ouvir a explicação quando na realidade é so uma cilada?

De a 08.06.2011 às 11:49

Que piada é que isso tinha?

De Marta a 08.06.2011 às 18:47

Tinha mais piada que isto!

De Marta a 08.06.2011 às 18:50

Imagina a Nó a escrever uma telenovela... É hilariante!

De a 12.06.2011 às 23:38

Cara Marta, isto é o culminar da minha pequena, grande telenovela pessoal. Lá por nunca aparecer na TVI, nao quer dizer que nao seja do género. De qualquer modo, isto faz-me sobreviver às aulas de espanhol. Por isso abençoa isto

De NattahL a 14.07.2011 às 19:23

Que cena :x

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You told me I was like the dead sea. You never sink when you're with me.

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