Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Capítulo 26 - Talento

por Jessie Bell, em 07.06.11

- Bom dia! – Exclamou ele, assim que abri os olhos.


- Olá.


O sorriso que emanava no seu rosto era absolutamente radiante.


- Estás assim tão feliz, por teres conseguido aquilo que querias?


- Eu consigo sempre aquilo quero. Nunca te esqueças disso – disse beijando-me o rosto.


- Fia-te na Virgem e não corras!


- Desculpa, mas agora a última coisa que me apetece fazer é correr – assegurou-me, agarrando-se ao meu corpo.


- Como é que tencionas sair daqui?


- Não tenciono.


- Eu também não tencionaria, se apenas a tua família não estivesse lá em baixo


- Sabes… podíamos ir-nos embora hoje e passar o fim-de-semana todo na cama.


- Só se for a dormir. Se bem que ir para Nova Iorque hoje, me pareça bem.


- A minha família chateia-te assim tanto?


- Não, tu é que chateias.


- Sempre um amor.


- E no entanto, tu estás aqui.


- O que é que se passa na minha cabeça?


- Estarás com febre?!


 


Tal como ambos queríamos, abandonámos a agradável cidade de Houston depois do almoço.


- O que é que queres fazer, para passar o tempo? – Perguntou Parker, com as mão no volante,


- Tudo, menos fazer aquilo que fizemos da última vez.


- Porque não?


- Tenho medo que acabe da mesma maneira…


- Picuinhas!


- Eu prometo-te que não acabe da mesma maneira. Quero descobrir a outra ponta do iceberg.


- O que é que queres saber?


- Tudo!


- Parker… por favor, eu não quero mesmo fazer isto.


- Porquê?


- Porque é embaraçoso e eu não o quero fazer. Tu não tens de forçar as pessoas a contarem-te todos os pormenores da sua vida.


- Tu não és qualquer pessoa.


- Por favor não vamos fazer isto. Quando quiseres saber algo, de facto, eu digo-te. Mas não inventes perguntas para preencher o tempo.


- Pois bem, eu tenho uma pergunta.


- Diz…


- Porque é que decidiste vir para Nova Iorque?


- Porque temos aulas…


- Não estou a falar de hoje. Estou-te a perguntar porque é que decidiste vir para , para os Estados Unidos.


- A sério que não sabes?


- Bem deduzo que fosse isto que querias. Os teu sonhos… perseguiste-os.


- Se sabes a resposta, porque é que perguntaste?


- Poderias tê-lo feito, ficando em Portugal.


- Não, não podia. Pelo menos não da maneira que queria, não da maneira que quero.


- E o que é que tu queres.
- Eu quero ser a melhor. Sei que pode parecer competitivo, mas essa é a verdade. Os meus pais sempre me ensinaram que eu podia fazer aquilo que quisesse, desde que fosse verdadeiramente boa. A minha única ambição é fazer algo que valha a pena. Não necessito de ser recorada. Não é isso que eu quero. Quero levar a arte a um outro nível. Quero que as pessoas comecem a ir a espectáculos de dança da mesma maneira a que vão a concertos, ou ao cinema. Foi por isso que vim para aqui. Acho. Ou talvez tenha sido apenas por capricho. Ou por não acreditar em mim o suficiente, para poder seguir os meus sonhos, no meu próprio país.


- Pensas nisso muitas vezes? De que não és boa o suficiente?


- Por vezes… Muitas vezes. Eu sei exactamente quais é que são as minhas falhas. Por vezes olho para a minha vida e penso, sinto, que estou perdida. É aquela sensação em que consegues sentir o teu estômago a colar-se às costas. Simplesmente, porque olhas para o futuro e não consegues ver nada. É apenas uma folha em branco, que  tens demasiado medo para preencher. Já alguma vez te sentiste assim?


- Sinceramente, não. A verdade é que sempre soube o que queria da vida. Não demorei muito a perceber. Sempre soube o queria. É como se já tivesse traçado toda a minha vida. Na minha cabeça, pelo menos, já não há muitas portas abertas para seguir. Pormenores, apenas. Pontas insignificantes que ainda estão por atar.


- Não te sentes impotente, por teres feito já tantas escolhas?


- Impotente? Muito pelo contrário. É algo que sempre viveu comigo. Não o fazer, seria muitíssimo estranho.


- Gostava de ter essa capacidade. De saber exactamente o que quero fazer na minha vida. Era agradável, para variar.


- Talvez…


- Não sabes a sorte que tens.


- Porquê? Por saber aquilo que quero fazer da minha vida?


- Não. Sim. Quer dizer, isso também. Mas não percebes que tu tens tudo o que sempre quiseste. Tens o teu talento. Tens tudo. Quantas pessoas dariam tudo só para ter uma décima do teu talento.


- Não é assim tão bom e tu, melhor que ninguém, devias saber isso. Toda a gente olha para ti ou com desdém, por te acharem melhor que elas próprias, ou então, esperam demasiado de ti. Não podes falhar, não podes desistir, não podes dar um passo em falso, sem caíres num buraco demasiado fundo. Se imaginasses a cara dos meus pais quando eu lhes disse que ia desistir do conservatório nacional. Senti-me tão culpado, como se estivesse a tirar algo que não me pertencia. Mas por outro lado, é algo excelente. Aquilo que nasceu comigo, é o que me define. É por isto, pela minha voz, que as pessoas, um dia, vão olhar para mim e dizer: “ Este é o Parker Halle”. E é bom saber isso, que vamos ter reconhecimento e, que trabalhando ou não, vai ser algo que vamos ter sempre. Porém, penso que toda a gente, por mais normal que pareça, possuiu algum talento. Uma característica única, que mais ninguém consegue copiar.


Assenti.


Olhei para o seu rosto, enquanto este estava fixado na estrada que percorríamos. Discorri o quão sortuda eu era, por ter conhecido alguém como ele. A maneira como ele se expressava era incomparável. Tudo o que ele fazia era incomparável. E eu não percebia o que é que ele via em mim para ficar ao meu lado.


 


Chegámos a Nova Iorque na madrugada do dia seguinte. As aulas foram retomadas e estava tudo a correr sobre rodas.


Estava…

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 20:33


2 comentários

De ♥ C. a 07.06.2011 às 21:06

Eu disse apenas 2 com css , de resto aceito tudo xD (esqueci-me de dizer que só aceitava 1 com menu)
De qualquer forma, até já recebi mais uma encomenda do que aceitava por isso nao dá mesmo para encomendares...!

De Marta a 07.06.2011 às 21:20

Adoro, adoro e adoro!
Agora quero o próximo capítulo.
Vais ter de escrever mais, por favot.
Continua com o bom trabaljo.
Bjs!

Comentar post



You told me I was like the dead sea. You never sink when you're with me.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog