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Capítulo 2 - Surpresa

por Jessie Bell, em 19.04.11

 



 


 


Entrei. A casa tinha quatro quartos e logo descobri o meu quarto. Era muito bonito. Tinha uma parede azul menta, a mobília era branca com linhas direitas. Encostada à parede azul estava a cama, era grande com uma colcha colorida. Vaguei pela casa que estava vazia. Até que ouvi alguém abrir a porta. Fui ver. Era o Mike.


- Olá! – Disse ele surpreendido. – Não me digas que vens viver para aqui?


- Estou cá, não estou!


- Fixe! - Michael Halle não era de todo parecido com o irmão, a não ser pelo facto de ser igualmente bonito. O seu cabelo era mais curto que o do irmão e, enquanto o do Parker era loiro, o de Mike era de um castanho-escuro quase preto, que lhe emoldurava o rosto e lhe evidenciava os olhos castanhos. Era da mesma altura que o gémeo, mas tinha muito mais músculo, que eram mais do que visíveis por de baixo da t-shirt verde e justa que trazia. – Então ouvi dizer que vamos ser parceiros de dança…


- O quê?!


- Ei! Contem um bocadinho a felicidade Dalillah – disse ele com um ar sarcástico. – Já fixaram as listas na escola.


- Ah! Fixe.


- Parece que me vais ter de aturar um bocado mais…


- Pois parece que sim…


-Ei, Miss. Simpatia – e deu me um pequeno empurrão no ombro.


Entretanto, conheci as outras pessoas que iriam morar comigo. A primeira a aparecer foi Melanie, Melanie Rogers. Uma rapariga do São Francisco, loira, de olhos castanhos, com um metro e setenta que era uma double threat, em dança e canto. Era simpática e leviana, gostei dela. A seguir chegou Joshua Stryder que, além de dançar, também estava em representação, por querer ser realizador, e por isso querer ter formação em representação. Eu achava que era nobre da sua parte. Tinha um ar divertido, com o cabelo pelo maxilar e com os olhos verdes. O que me assustou foi o facto de entrar pela casa a dentro com uma câmara de filmar… A Jessica foi a penúltima. Jessica Danielles, double threat: canto e dança. Era mulata, cabelo preto, grande sorriso e uma voz fantástica. Vinha da Califórnia. Por último, conhecemos o Kevin Vane, que era primo do Mike e do Parker, era uma double threat em representação e dança.


- Ouvi dizer que conheceste o meu irmão – disse o Mike depois do jantar.


- Sim no autocarro. Como é que sabes?


- Ele não a marcou pois não? – A voz de Kevin ecoou pela sala de estar bege. Mike acenou e começou a rir descontroladamente, assim como o Kevin e o Josh.


- Alguém se importa de me explicar o que é que se passa aqui? – Perguntei.


- Ei… Eu cá não te explico nada  disto. Se queres saber pergunta ao Parker.


Fiquei a noite toda a pensar naquilo… O que significaria? “Amanhã é o primeiro dia de aulas”, pensei. Ia encontrá-lo e perguntar-lhe o que é que aquilo tudo significava.


 


Levantei-me às sete menos um quarto, tomei banho, maquiei-me e vesti-me e calcei-me, calças de ganga justas e um top e as minhas sandálias altas pretas. Tomei o pequeno-almoço e com o meu saco da dança e a minha mala saí de casa em direcção ao P.A.. A minha primeira aula era de piano. Dirigi-me à sala que era no terceiro andar e assim que me aproximei, comecei a ouvir o “Prelude” de Bach, mas com o ritmo totalmente diferente, o que tornava a música quase feliz. Entrei e fiquei a olhar para ele, enquanto tocava. Parker Halle envergava uma t-shirt branca com um decote em V, onde se encontravam os seus óculos de sol. Vestia umas calças de ganga escuras e uns sapatos pretos. Olhou para mim e parou de tocar.


- Olá beleza – disse ele. E assim que eu lhe mandei um esgar ele mandou-me um sorriso.


- Então… Estava a apreciar o assassinato do “Prelude” de Bach!


- Assassinato... AU! Essa doeu! – E levou a mão ao peito com uma expressão de pura agonia.


- Não sabia que tocavas piano. Pensava que te cingias à guitarra e ao violino…


- Há muitas coisas que não sabes sobre mim. Na verdade eu toco 28 instrumentos. – A minha boca abriu-se automaticamente e ele, com um dedo, fechou-a.


- Eu tenho quase a certeza que isso é impossível mas pronto. Posso perguntar-te uma coisa?


- Claro – assim que acabou de falar a campainha soou e entrou o professor por isso a conversa ficou por aí.


A seguir tinha aula de dança que correu muito bem, porque fizemos clássica. Gostava de dançar com o Mike, a verdade é que ele era muito bom e profissional, o que era bastante agradável.


O dia todo passou sem conseguir falar com o Parker, até entrar no autocarro.


 


- Olá! – Disse ele sentando-se ao meu lado. Ele sentia-se sempre tão à vontade que enervava.


- Olá. – Passaram-se vários minutos sem ninguém dizer uma palavra. Até que reparei que ele estava a olhar fixamente para mim, outra vez. – Importas-te?!


- Ãnh? – Ele estava mesmo surpreendido, ou então fingia bem…


- Sabes que estás mais do que 5 minutos a olhar para mim. É um bocado irritante.


- Gosto de olhar para ti. Sais comigo? – Eu não consegui-a perceber se ele estava a falar a sério ou não. Mas algo nos seus olhos dizia-me que era a sério.


- Estás a falar a sério?!


- Claro que estou. Então aceitas?


-Não sei. Reponde-me primeiro a uma pergunta. O teu irmão disse-me que me marcaste. O que é que isso significa? - Vi a expressão da sua cara mudar: de raiva para irritação, de irritação para tristeza, até se abrir num enorme sorriso.


- Significa que quero sair contigo. – Levantei uma sobrancelha e, após uns breves segundos, ele continuou – O Mike é meu gémeo e, às vezes, acontecia que gostávamos da mesma pessoa. Por isso, agora marcamos as pessoas de que gostamos e o outro não se pode meter. – Olhei para ele, completamente atónita. Não sabia o que pensar… Então ele gostava de mim. E o Mike sabia. E agora? – Mas tu ainda não me respondeste à minha pergunta. Sais comigo? – O brilho dos seus olhos encantava-  -me.


- Está bem. – “Mal não ia fazer”, pensei. –Onde é que vamos?


 


 - Surpresa. Vou-te buscar no sábado ao meio-dia – Após me ter dito aquilo, piscou-me o olho, sorriu e saiu do autocarro.


À noite, dava voltas na cama a pensar nisto. No que é que me tinha metido? Sim ele era giro… Era simpático… Mas talvez não ultrapassasse isso.


Comecei também a pensar noutras coisas. Na minha família: tinha saudades deles. Tinham-me deixado perseguir os meus sonhos. Nunca me questionarem. Quando lhes disse que queria ir para Nova Iorque, eles assentiram. Talvez por saberem que era mesmo isto que eu queria. Dançar. Representar. Cantar. E claro podia ter ido pelo caminho mais fácil: concursos, discográficas, qualquer outra coisa que não ocupasse três anos da minha vida. Tinha 19 anos, quase 20. A dúvida pairava na minha cabeça, desde o primeiro dia que comecei a dançar: “É este o meu destino?” ”Fui talhada para isto?”. O meu coração dizia-me que sim e, por enquanto, era suficiente.


 


           


                        

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publicado às 02:30


3 comentários

De Marta a 21.05.2011 às 21:43

Adoro isto, adoro mesmo!

De NattahL a 14.07.2011 às 11:31

Adoro a escrita (:
xoxo'

De elielife a 14.07.2011 às 19:38


epá a sério eu gosto bue da tua fic!!!!

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You told me I was like the dead sea. You never sink when you're with me.

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