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Capítulo 20 - Água

por Jessie Bell, em 16.05.11

 



 


 


- Explica-te – ordenei-lhe, entendendo a pequena coroa. Ele começou-se a rir, porém percebi que estava envergonhado.


- A minha avó obrigou-me, num Verão que vim passar cá. Mas, ganhei 1000 dólares.


- Tens para aqui muitos troféus…


- Os meus avós têm mais orgulho nisso do que eu, por isso é que os deixo aqui. – Disse enquanto voltava a pôr a pequena coroa no lugar.


- Então encontraste a tua família?


- Não… só chegam amanhã de manhã.


- Os teus avós não vivem cá?


- Sim, mas eles também vêm de Nova Iorque, porque estiveram lá durante um tempo.


- Então o que é que vamos fazer?


- Queres ir à praia?


- Estamos em Novembro…


- Por favor…. – disse com uma súplica nos olhos.


- Estás a tentar fazer-me olhinhos, Parker Halle?


- Está a resultar? – Perguntou com a mesma expressão.


- AH! Sim, está – disse arfando. – Vamos. – Parker respondeu-me com um sorriso.


 


Quando chegámos à praia, tive a maior sensação de dejá vu de sempre. Era o mesmo cenário do meu sonho, de quando estava sob o efeito da anestesia. Parei estupefacta a olhar para aquela praia de areia branca.


Sem dizer uma palavra, sentei-me no chão, para apreciar o momento. Parker sentou-se também e, assim ficámos, sem proferir uma palavra, simplesmente porque palavras não eram necessárias.


Estava feliz por me poder abstrair de todas as minhas preocupações momentâneas e me poder concentrar em Parker, por me poder concentrar em nós.


Pousei a minha cabeça no seu ombro e ele colocou o seu braço à volta dos meus ombros.


- Sabes, eu sonhei exactamente com esta cena, quando estava na cirurgia…


- A sério?! Espero que tenha sido agradável, amor.


- Estava a ser. Até desapareceres. Até tudo desaparecer e ficar tudo branco. – Vi a angústia nascer-lhe no rosto.


- Estás aqui agora – disse, como me assegurando desse facto e apertando-me mais contra si.


- Nunca me deixes Parker.


- Prometo – murmurou, afagando-me o cabelo. – Então? Quais são as probabilidades de te convencer a vir dar um mergulho? – Perguntou com um sorriso maroto nos lábios.


- Eu diria por volta de zero… Mas podes sempre implorar, só por diversão.


- Ou então posso sempre fazer isto – disse, levantando-se num pulo. Puxou-me contra si, para que também ficasse em pé e, de repente pegou-me pelos joelhos, de modo a que ficasse em cima do seu ombro, como um saco de batatas.


- Parker! Nem penses! – Exclamei-lhe num tom austero.


- É a minha nova forma de implorar, descobri que é muito mais eficaz.


- Parker Mortimer George Halle coloca-me no chão JÁ! – Gritei-lhe sacudindo as pernas, para me libertar.


- Muito convincente realmente. Esqueceste-te do VI – acrescentou.


- Parker! Eu não sei nadar. – Ele soltou um riso recheado de sarcasmo, obviamente não tinha acreditado em mim, e continuou a andar até ao mar. Comecei a sentir o frio do mar na pele.


Quando chegámos à beira-mar Parker, ignorando os meus gritos, tirou-me do seu ombro e, num movimento rápido, mandou-me ao chão, deixando-me aterrar de cócoras e molhando as calças de ganga que estava a usar.


Sendo que já estava molhada e ignorando o frio da água gélida que me penetrava nos ossos, resolvi vingar-me.


Acabámos por cair os dois lado a lado, com as ondas a baterem-nos nos pés e  completamente molhados.


- E se eu não soubesse de facto nadar?


- Não sei se reparaste mas nós não nadámos propriamente. Além de que, tu não mentes assim tão bem.


 - Se soubesses isso, não estaríamos aqui hoje. – Vi a expressão dele mudar de pura excitação, para uma incompreensão transtornada. Desatei a rir-me perante tal expressão. – Vês como não sabes quando é que eu estou a mentir? – Perguntei, por entre gargalhadas.


- Agora vais sentir a minha cólera. – E dito isso colocou-se em cima de mim, apoiando-se nos cotovelos, e sacudiu o seu cabelo loiro para a minha cara e depois pousou a sua cabeça no meu peito.


- E agora, como é que vamos para casa? – Indaguei, quando Parker caiu de novo ao meu lado.


- Bem, podemos ficar aqui, até secarmos ou então… acho que tenho umas toalhas no jipe. – E após ter dito isto levantou-se e eu fiz o mesmo.


 


A curta viagem para a grande casa branca correu na perfeita normalidade, por entre conversas e risos.


- Onde é que posso tomar banho? – Perguntei quando entrámos na casa.


- Sobes e é a segunda porta à direita.


- Obrigada.


Subi, e tal como Parker me disse, entrei na segunda porta do lado direito. Rodei a maçaneta e empurrei a porta, deparando-me com uma ampla casa de banho.


Tirei a roupa húmida e entrei no duche.


Quando acabei embrulhei-me na toalha e andei até ao quarto de Parker. Comecei a vestir-me. E tinha acabado de me arranjar, quando ouvi a porta atrás de mim abrir-se. Guinchei.


- Sou só eu – disse enquanto andava na minha direcção.


- Assustaste-me.


- Quem é que achavas que era? – Perguntou, enquanto enrolava os seus braços à minha volta, por trás, e me beijava o pescoço.


Senti as suas roupas molhadas a tocar o meu corpo.


- Parker, estás encharcado.


- E tu cheiras bem – proferiu roçando o nariz na minha cabeça.


-Vai tomar banho.


- Cheiro assim tão mal? - Inquiriu-me agarrando-me mais contra o seu corpo molhado.


- Parker, estás-me a molhar toda.


- Ok. Ok… Já volto.


 


Passaram-se vários minutos até Parker voltar, já vestido, com umas calças caqui com uma camisola castanha, com um decote em “V”.


- Vamos jantar? Já são oito.


- Claro. O que é que vamos jantar?


- Pronta para pôr à prova as minhas técnicas culinárias?


- Desde quando é que sabes cozinhar?


- Confia em mim. Vamos – e dito isso agarrou a minha mão e conduziu-me à cozinha.


A verdade é que ele não cozinhava nada mal.


Parker fez carne guisada com massa e realmente estava muito bom.


 - Então estou aprovado? – Perguntou, por entre garfadas.


- Estás?


- Vou tomar essa pergunta como uma declaração.


- Ainda bem – disse com um sorriso. – A que horas é que a tua família chega amanhã?


- De manhã. Não sei horas ao certo.


 


Após jantarmos e arrumarmos as coisas, deitámo-nos no sofá a ver um filme.


Era um velho musical, ao qual não prestei muita atenção. Após meia hora, adormeci nos braços de Parker.


 

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publicado às 16:12


3 comentários

De Marta a 16.05.2011 às 21:04

Obrigada Nó!
Adoro as tuas histórias e os teus blogs.
Continua!
Bjs!

De Dih'h ◕‿◕ a 17.05.2011 às 16:27

'Ta recheado de perfeição ^^
'Ta super molhado x)

De Beatriz a 18.05.2011 às 20:34

Está perfeito!
Publica o outro depressa! :D

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You told me I was like the dead sea. You never sink when you're with me.

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