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Capítulo 17 - "Houston, we've got a problem"

por Jessie Bell, em 06.05.11

 



 


 


- Francisca – disse quando ouvi a sua voz.


- Dalillah! – Exclamou, com um sorriso na voz. – Vou passar o telemóvel a uma pessoa.


A voz da pessoa que ouvi do outro lado da linha era fraca e doente, porém reconhecia-a perfeitamente. Era a minha voz. Era a voz de Mariana.


- Mariana! – Disse num grito de felicidade.


- Olá.


- Estás viva! – Exclamei.


- Não?! A sério? E eu a pensar que te estava a mandar uma mensagem do além. – disse num tom sarcástico.


- Não sejas idiota.


- Também tinha saudades tuas maninha.


- Quando é que acordaste e, porque é que ainda não me tinham ligado?


- Dali! Acalma-te, por amor a Deus! Estou acordada a uma hora. Íamos-te ligar agora.


- Eu estou calma! Fala. Porque é que não acordaste depois da cirurgia – disse com a voz a esmorecer.


- Eu fiz uma reacção alérgica à anestesia…


- Mas, e o transplante, resultou?


- É claro que resultou. Agora estou perfeitamente saudável.


- Não sabes o quão feliz isso me deixa.


- Faço uma ideia. A nossa família, desde que souberam que acordei, andam aqui a rondarem como moscas. Acho que nunca mais me vão deixar dormir.


- Não sejas assim Mariana. Estávamos preocupados contigo.


- Eu sei. E fiquei muito feliz quando soube que tinhas voltado para Nova Iorque.


 Fiquei calada durante uns minutos. A minha volta para Nova Iorque, naquela altura, não tinha sido um acto de coragem, mas sim um acto de pura cobardia.


A chamada terminou rapidamente, porque Mariana tinha de fazer análises. De qualquer maneira, não demoraria muito até ela sair do hospital. E nada me deixava mais feliz.


Estendi-me na cama e espreguicei-me de felicidade. Voltei a pegar no telemóvel e marquei o número de Parker. Ele atendeu segundos depois.


- Ela acordou! – Guinchei. – Parker! Ela acordou!


- Boa Lillah! – O seu tom era de pura felicidade e isso ainda me deixava mais feliz.


- Estou tão feliz, Parker.


- Eu também estou muito feliz.


De repente, ouvi a campainha do apartamento soar.


- Está alguém à porta. Espera, que eu vou abrir.


- Eu espero.


Abri a porta e Parker estava ali.


- Esqueci-me das chaves, desculpa.


Puxei-o para mim e beijei-o. Envolvi o seu pescoço com os meus braços, conduzindo-o até ao meu quarto. Sabia exactamente o que queria fazer com ele, quando lhe tirei a t-shirt que usava.


Porém ele impediu de levar a minha avante. Descolou os seus lábios dos meus, afastou-me do seu tronco desnudado e olhou-me com os seus perfeitos olhos cinzentos.


- Por muito que queira fazer aquilo que tu me estás a propor, que tal irmos jantar primeiro – Revirei os olhos, sem dizer uma palavra, e estendi-lhe a t-shirt.


- Estás assim tão relutante ao facto de fazeres amor comigo?


- Muito pelo contrário – disse olhando-me de cima a baixo. – Mas, sinceramente, estou com fome.


- Vamos – disse num suspiro. – És um desmancha-prazeres Parker Halle…


- E esse é apenas um dos meus muitos encantos. – Disse brincando com o meu cabelo. – Temos de nos despachar, tenho reservas para as oito. Vou trocar de roupa e tu faz o mesmo.


- Onde é que vamos?


- A um sítio novo que abriu na cidade. Despacha-te – e deu-me um beijo no cimo da cabeça.


Saiu do quarto deixando-me sozinha com o meu roupeiro.


Acabei por vestir um vestido justo, cor de esmeralda, que me dava pelo joelho. Deixei o cabelo solto e coloquei o meu colar de ouro, com uma pequena esmeralda, que os meus pais me tinham dado quando fiz dezoito anos. Maquiei-me e, assim que acabei, Parker bateu à porta do meu quarto.


Quando a abri, olhou-me de cima a baixo, com a boca aberta.


- Vamos?


- Agora não sei – disse pousando os braços na minha cintura. – Tenho medo que te levem, caso desvie o olhar de ti – e sorriu.


- Roubarem-me. E tu? Não me protegias, não?


- É claro que protejo. Mas então fica ao pé de mim, está bem? Só pelo sim, pelo não. – Ri-me.


- Vá, vamos embora. Já são sete e meia e ainda temos de chegar a Nova Iorque.


O restaurante era muito moderno e a comida era surpreendentemente boa. Comemos massa com queijo e algo indecifrável.


- Lillah, o que é que vais fazer no dia de acção de graças?


- Vou ficar em casa. Sou portuguesa, não celebramos o dia de acção de graças.


- Mas sabes que vamos estar de férias essa semana.


- Eu sei. Mas, mesmo assim, não vou a Portugal, para estar lá uma semana. Além de que vou lá no Natal.


- Ly, vens comigo a Houston?


- O que é que tu vais fazer a Houston?


- A minha mãe nasceu em Houston, por isso os meus avós vivem e nós passamos sempre o dia de Acção de graças com eles. Além de que, quando eu vim da Irlanda, vivi dois anos em Houston, antes de nos mudarmos para cá.


- Parker…


- Por favor… - disse com uma suplica nos olhos. – Não vais passar uma semana sozinha, sem nada para fazer.


- Park… – lamuriei.


- Por favor.


- Como é que eu explico isto aos meus pais?


- Não lhes digas.


- Sim, pois. Não lhes digo que vou para outro estado, durante uma semana.


- Vá lá! Ouvi dizer que vai estar bom tempo…


- Porque é que isto é tão importante para ti?


- Primeiro, porque não quero que fiques aqui sozinha. Segundo, porque quero apresentar-te à minha família.


- Como é que achas que isso é um bom argumento?


- Tens assim tanto medo da minha família?


- Tenho.


- Por favor. Suplico-te! Vem.


- Quanto é que me pagas?


- Quanto é que queres?


- Estou a brincar Parker.


- Mas eu estou a falar a sério. Não aceitas subornos?


- Não desse tipo, amor. Se me pagares o que deves, depois logo vemos.


- E se fizermos ao contrário? Tu dizes que sim e eu pago-te a minha dívida.


- Está bem.


- Está bem. Sim, eu vou. – Ele esboçou-me um sorriso de orelha a orelha e, cobriu a minha mão, que se encontrava pousada na mesa, com a dele. – Como é que consegues levar sempre a tua avante?


- Porque eu sou fantástico, Grá.


Pouco tempo depois chegámos a casa e, finalmente, Parker pôde pagar aquilo que me devia.


 

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publicado às 23:12


3 comentários

De Dih'h ◕‿◕ a 08.05.2011 às 17:16

'Tava a ver que a rapariga não acordava -.-'
'Ta lindo :D
Se os subornos fossem sempre desse jeito, o mundo estava completamente perdido xD

De Rita a 08.05.2011 às 22:03

ainda bem que não mataste a rapariguinha :D adorei o suborno. e estou ansiosa por conhecer a familia dele xD

De copodeleite a 18.07.2011 às 00:50

Como assim? És mesmo muito feminina?

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You told me I was like the dead sea. You never sink when you're with me.

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