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Capítulo 4 - Encontro

por Jessie Bell, em 19.04.11

 



 


 


Sábado finalmente chegou e, às dez horas, Jessica entrou no meu quarto com a função de servir de minha conselheira de moda. Abriu o meu roupeiro e ficou de boca aberta, literalmente quando olhou para a terceira porta. A verdade é que esse compartimento estava cheio de coisas de dança. Bodys, tutus, casacos, tops, calções, sapatilhas, sapatos de dança, sapatilhas de ballet, calças, e pontas. Montes e montes de pontas, de todas as cores possíveis e imagináveis. Algumas tinha tingido, com a ajuda das minhas irmãs mais novas, outras tinha comprado. A verdade é que estavam ali às dezenas, todas ordenadas e dispostas em 5 prateleiras.


- São lindas! – Exclamou e pegou nas vermelhas – Foste tu que as tingistes?


- Sim, claro. É muito fácil… - Reparei que nessa semana só tinha usado as minhas pontas clássicas e que, por isso ninguém tinha reparado.


- Fixe! Um dia destes tens de me tingir umas… Mas pronto agora vamo-nos dedicar a roupa.


Acabei por vestir uns calções pretos de cintura subida, com um top às riscas horizontais largo que pus por debaixo dos calções, para realçar a minha cintura, sugestão da Jessica. Calcei as minhas sandálias pretas com sola de cortiça e por cima vesti o meu casaco de cabedal vermelho, que era curtinho e, por isso, acabava onde os calções começavam. A Jessica tratou da minha maquilhagem, que ficou muito bem. Ela tinha jeito para isto.


Eram doze horas e dois minutos, quando Parker Halle tocou à minha campainha. Desci apressadamente as escadas e parei à frente da porta a olhar para ele. Estava de óculos de sol, com umas calças de ganga pretas, que lhe assentavam na perfeição, e uma camisa azul clara, com as mangas arregaçadas e com o dois botões a contar de cima abertos. Vestia também um casaco de cabedal preto. Oh Deus! Ele era tão bonito. E claro, era de realçar que estava encostado a um grande jipe prateado. Um grande e lindo jjipe prateado. Saí do prédio e fui ao seu encontro.


- Olá – disse.


- Olá – respondeu e olhou para mim de cima a baixo – Estás absolutamente linda! Sem dúvida.


- Obrigada. – Senti o sangue a subir-me às bochechas – Então onde vamos?


- Eu disse que era surpresa não disse? Vamos almoçar e depois vamos a um sítio especial no Central Park. Ok? Espera aí gostas de pizza, não gostas? – e voltou a olhar para mim de cima a baixo – Não és daquelas raparigas que estão sempre de dieta e que não comem nada?


- Obviamente não me conheces Parker


- E é por isso que estamos aqui, não é?


- É?


- Não é esse o objectivo de um encontro? Conhecer alguém que, de facto, se quer conhecer? – Entretanto já tínhamos entrado no jipe. Era agradável. Tudo nele era agradável. O que me assustava. Comecei a ver os CDs dele. Tinha de tudo. Literalmente. Desde rap, a clássico. Encontrar um Cd do Haydn, dentro da capa de um do Gorgol Bordello, sinceramente, assustou-me.


- Então, podemos começar o questionário? – Disse ele com um sorriso maroto.


- Questionário?


- Sim… Vá lá, eu pergunto-te algo e tu perguntas-me outra. Ok?


- Porque não. – Concordei.


- Qual é o teu nome completo?


- Ana Dalillah Pereira da Rocha Vanbeveroun. – Ri-me. O meu nome completo era tão ridículo que doía. Acho que uma vez, quando tinha doze anos, me zanguei com os meus pais por isso. Ele assentiu – Eu faço-te a mesma pergunta.


- Isso é um segredo que eu nunca revelarei.


- Então? Eu vou descobrir, eventualmente… Diz lá


- Vais te rir… E assustar. Acho que vou trancar as portas primeiro, para o caso de quereres fugir. – respirou fundo duas vezes – É Parker Mortimer George Halle VI


- Mortimer a sério? Então posso passar a chamar-te Mort?


- Nunca na tua vida Dalillah Vanbeveroun!


- Não é assim tão mau… - Era, era muito mau!


- Pois… pois… Irmãos, quantos?


- Um irmão mais velho, uma irmã gémea e três irmãs mais novas. E tu?


- Um irmão gémeo e um irmão e uma irmã mais nova. Há quanto tempo é que danças?


- 14 Anos, quase 15.


- Eu já te vi. És boa, é muito boa. E, apesar de não parecer, eu sei do que é que falo. Já assisti a demasiados bailados e espectáculos de dança e audições e concursos. É o que dá ter um irmão gémeo – concluiu. Assim que acabou de falar chegámos ao restaurante. Era num prédio, que apesar de estar no centro da cidade, era demasiado baixo, para parecer pertencer ali. Entrámos. Era agradável. O Parker parecia conhecer o local. A comida era divinal. Apesar de ser pizza, era a melhor que já alguma vez tinha provado. Saímos do restaurante às 15h30 e eu estava completamente empanturrada.


- Não estavas a brincar, quando disseste que não te conhecia… - Eu sorri e assenti. Ele pagou, apesar dos meus protestos, e, após ter ido buscar o violino ao jipe, fomos até ao Central Park. Já lá tinha estado, mas não para onde ele me levava. Andámos cerca de 1km e meio e finalmente parámos num sítio à sombra por debaixo de umas enormes sequóias. Ele tirou o violino. Que, tal como ele, era lindo. Preto e reluzente.


- É assim que me vais conquistar? Com um violino? – perguntei divertida.


- Mas, Lillah, tu não fazes a mínima ideia sobre o que eu consigo fazer com um violino. – Riu-se e tocou uma corda. A seguir começou a tocar uma linda melodia, ao mesmo tempo que olhava para mim e fez-me sinal para me sentar. Obedeci e observei-o enquanto tocava. Quando acabou perguntou:


 - Sabes tocar?


- Nem por sombras… Sabes nem toda a gente sabe tocar milhentos instrumentos.


- Vem. Eu ensino-te. – Levantei-me, ele colocou o meu cabelo num só lado do meu pescoço, colocou o violino na minha mão esquerda e o arco na outra e pôs-se atrás de mim. Enquanto a minha mão esquerda apoiava o braço do violino, a dele ia tocando acordes, pressionando as cordas do violino. Pegou no meu pulso direito e fez com que movimentasse o arco. Inclinou a minha cabeça para o violino e tentou, frustradamente, tocar a mesma melodia que tinha tocado há pouco. Passados uns bons 10 minutos de várias tentativas parou. Fez com que eu rodasse o meu corpo de maneira a que ficasse de frente para ele e olhou-me nos olhos.


- Então que tal me saí? – Perguntei.


- Bem… Eu, sinceramente, acho que te devias dedicar à dança, e ao canto e à representação… E, por favor, não tentes isto em casa. – Eu parti-me a rir e ele também. De repente, parámos. Olhou para mim, com os seus lindos olhos cinzentos, e, após breves momentos de suspense, afundou os seus lábios nos meus. Senti um fogo a acender-se na minha garganta, um fogo que era impossível de apagar. O beijo perdurou por vários segundos até, por fim, ele libertar os seus lábios dos meus.


- Acho que devíamos ir andando – concluiu, eu assenti e partimos. 


 


 


 


 


 


 

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publicado às 16:00


4 comentários

De Marta a 21.05.2011 às 21:40

Adorei (e adoro), mas era mais engraçado se ele dissesse: Dediaca-te à pesca. Não era apropriado mas era giro.
De qualquer maneira adorei. Muito obrigada e continua.
Bjs!

De elielife a 14.07.2011 às 19:57

amei mesmo, eu não acedito que eles se beijaram *.*

De elielife a 14.07.2011 às 19:58

ah e adoro o parker *.*

De copodeleite a 17.07.2011 às 23:41

Encontro-me aqui a ler a tua história. :)
E tens net lá? (eu sou tão egoísta xDD)

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