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Capítulo 39 - Cão de guarda

por Jessie Bell, em 19.07.11





 


Aviso, caras(os) leitoras(os) que atingimos os 500 comentários. O 500  foi feito pela excelentíssima copo de leite, que escreve incrivelmente bem e toda a gente devia ir ler o blog dela, aqui. Leiam muito e comentem. Não se esqueçam de ir ver o meu novo blog pessoal que está numa nova conta e seguirem: www.aghost.blogs.sapo.pt


E agora, o "tão esperado" capítulo 39! Quero muitos comentários:


 


***


 


- Olá! – Exclamei, quando ouvi a sua agradável voz do outro lado da linha.


- Dalillah! Estava mesmo para te ligar – disse, com uma súbita alegria na voz, que me aquecia o coração.


- Não mintas, Parker Halle. Eu sei perfeitamente que já não queres saber de mim – brinquei.


- Ainda bem. Acabaste-me de poupar o imenso trabalho que teria em acabar contigo.


- Nem te atrevas – ameacei-o.


- Desculpa lá, mas tu é que disseste que eu já não queria saber de ti. Só te estava a dar razão, meu amor.


- Eu não necessito desse tipo de razão – disse com um sorriso vitorioso. – Preciso de te contar uma coisa…


E assim o fiz, contei-lhe tudo o que tinha acontecido, desde ter ido às compras com Melanie até à conversa que tinha tido com Michael e, quando acabei, ele confinou-se ao seu silêncio.


- Parker, não dizes nada? – Perguntei, preocupada com seu silêncio.


- Dalillah… Eu sei que já disseste que sim, mas, por favor, não vás – pediu-me, com um tom de voz demasiado triste.


- Parker! – Exclamei, surpresa. – Porquê?


- Amor… Por favor. Se confias em mim, não vás.


- Parker. Dá-me uma boa razão.


- Eu não quero que te magoes – disse com uma voz fria.


- Explica-te. O Michael já disse que não gostavas dele, mas por favor Parker, o que é que se passou?


- Ele… Esquece! É demasiado complicado.


- Eu tenho tempo… Não contava dormir grande coisa, de qualquer modo.


- Dalillah… - resmungou, com aquele tom tão familiar.


- Fazes-me o favor de te explicares? Não estás a fazer sentido nenhum e eu odeio quando ages assim! – Gritei exaltada, enquanto pendurava a cabeça para fora da cama, deixando o sangue aflorar-me à cabeça.


- Assim como? – Perguntou com irritante tom, que utilizava quando queria fazer-se de desentendido.


- Parker, isso não resulta, por isso, se faz favor, explica-me o que é que se passou entre ti e o Jacques, antes que eu me aborreça a sério.


- Já foi há bastante tempo – começou, finalmente. – Antes de entrar para o conservatório nacional, eu fiz as audições para entrar aqui. Eu e o Michael. O gajo ganhou uma advertência qualquer ao Mike e consequentemente comigo. O Mike deixou aquilo passar, mas a verdade é que ele ficou-me entalado durante toda a semana das audições. Depois de alguns confrontos, o cabrão…


- Parker! – Gritei. – Sem insultos, por favor – pedi, com um tom mais calmo.


- Continuando: o cabrão começou a meter-se com a Kate, que ainda nem tinha feito audições para a escola, simplesmente viu-a comigo um dia e começou a atirar-se a ela. Eu passei-me e, bem, no penúltimo dia das audições ele curtiu com ela e eu, quando descobri, parti-lhe a cara. – Aquela história começava a assustar-me. Nunca conhecera Parker tão violento… - Não sabendo eu que ele era (e é) o filho do director da escola e fez com que me expulsassem daí. E o que ainda me pôs mais furioso foi que não só fez com que me expulsassem a mim, como também Michael, que não tinha culpa nenhuma nisto. – Conseguia ouvir a sua respiração acelerada.


- Ok. Mas isso tudo pertence ao passado… Além de que eu não sofro nenhuma ameaça.


- Aí é que te enganas. O cabrão é um cobarde e depois da sua primeira vingança mesquinha, não tardou a realizar a segunda: ele vingou-se na Kate, Lillah. Ele vingou-se da pior maneira possível. Ele… - e não foi capaz de acabar. Porém, não foi preciso, eu entendi. Ele tinha-a atacado. Era óbvio. Ouvi-o lançar um suspiro profundo, como se um enorme peso se lhe fosse levantado dos ombros. – Ele é um covarde e mesquinho e aparentemente não possui as capacidade de lutar como um homem.


- Mas Parker – eu não ia desistir de defender o meu ponto de vista. – Isso tudo pertence ao passado. A um passado longínquo, não me podes fazer crer que o mesmo me acontecerá a mim. Ele nem sabe que tu namoras comigo. E mesmo que soubesse… Ninguém, sem ser tu, guarda ressentimentos durante tanto tempo.


- Dalillah… Por favor, uma vez, uma única vez na tua vida, ouve-me – pediu-me com um lamento marcado na voz.


- Parker, isto é uma grande oportunidade. Eu não a vou desperdiçar.


- Por isso, não me vais ouvir, certo?


- Lamento – e lamentava mesmo, mas eu não ia desperdiçar oportunidades assim. Recusava-me.


- Adeus, Dalillah – e foi assim que Parker acabou a chamada.


Abri a cama e entrei nos lençóis claros, que a cobriam.


Talvez não o devesse fazer. Talvez, aceitar aquela proposta não foi a atitude mais inteligente da minha vida. Talvez simplesmente a casmurrice estava a tomar conta da minha ocupada vida. Talvez o devesse ouvir, a ele, ao invés de mim própria.


Porém havia algo que ele não atingia. A ideia de que, ao contrário dele, as minhas opções estavam limitadas. Eu sabia que nunca teria grande carreira na representação, ou no canto. Tratavam-se apenas de distracções, de escapes, para quando a dança se tornava demasiado.


Tinha, no máximo, mais duas décadas de dança profissional e depois tudo acabaria, com uma lesão, ou com uma doença, ou simplesmente com o cansaço da vida. E depois disso, o que é que me restaria? Poderia formar uma escola, ou uma companhia, ou simplesmente dar aulas, mas nada disso seria suficiente. Nada seria suficiente, a não ser que eu pudesse olhar para trás e ver que tinha aproveitado todas as oportunidades que me foram lançadas para dançar.


Parker não conseguia ver isso, porque tomava como certos os seus únicos talentos, talentos esses que durariam para sempre.


Acabei por adormecer, sem qualquer intenções de o fazer.


Quando acordei, dirimi que não iria tomar nenhuma decisão sem falar com Jacques. Parecia-me razoável.


Levantei-me e enfiei a primeira coisa que encontrei no armário: uma camisola larga e grossa, de cor cinzenta, uma calças pretas e umas vans vermelhas. Atei o cabelo, que agora começava a ganhar raízes castanhas, numa trança, meio desfigurada e, após ter tomado o pequeno-almoço mais rápido à face da terra, saí daquele apartamento, para o meu ensaio com Mike.


Sabia que deveria ter esperado por ele, ou por uma das raparigas, porém, queria manter a minha cabeça o mais livre possível, para a minha conversa com Jacques.


Entrei na sala que tínhamos marcado, após me ter vestido, e calcei as sapatilhas de ballet.


As salas de dança eram do mais simples possível: quatro paredes azuis claras, uma delas, forrada a espelhos, as outras três com barras, uma aparelhagem e um piano de pé. Tal como tinha dito: simples.


Michael acabou por chegar, pouco tempo depois. E, tal como combinado, dançámos. Dançámos todas as coreografias que estávamos a dar em todas as aulas de dança, a todos os estilos e, quando acabámos, atirei-me para o chão, deixando-me a fitar o alto tecto caiado.


Mike fez o mesmo.


- Então falaste com o meu excelentíssimo irmão? – Perguntou, enquanto o suor lhe escorria pela testa.


- Vocês partilham telepatia, ou são somente demasiados genes em comum?


- Penso que os genes ajudam, mas as telecomunicações dão muito mais jeito. – Lancei-lhe um olhar confuso e ele arfou, antes de começar a falar novamente. – Ele ligou-me. Disse que estava preocupado contigo e pediu-me que mantivesse um olho em ti.


Aquilo simplesmente irritava. Não só ele contava tudo a Mike, como tinha de me julgar como uma donzela em apuros. Como é que era suposto eu confiar nele, se nem ele confiava em mim?


- Tu obviamente disseste que não, como o bom amigo que és – disse sarcasticamente.


- Ele é meu irmão, Taylor. Além de que eu também não concordo nada com esta tua decisão.


- Mas é minha. E o teu irmão não tinha nada que te contar isto! Odeio que me menosprezem desta maneira. Eu não sou assim tão ingénua.


- Mas pelos vistos casmurra, és – completou. – Taylor, não te zangues com ele – pediu-me. – Sabes que ele se sente culpado por se ir embora e te deixar sozinha, aqui.


- Eu não estou sozinha. Não estar com ele, não é sinónimo de estar sozinha.


- Taylor… Tu sabes o que é que eu queria dizer.


- Isto não faz sentido nenhum. Aquilo aconteceu há dois anos, Michael. O teu irmão bem que podia pôr isto para trás das costas. E mais que isso, podia não me ter arranjado um cão de guarda – resmunguei.


- Ele está preocupado contigo.


- Promete que não o vais fazer. Promete-me que não vais andar atrás de mim, Michael!


- Eu não prometo nada.


Saí dali, o mais depressa possível. Não estava para ouvir sermões, como se fosse uma criança. Tinha vinte anos. Já tinha idade para tomar as minhas próprias decisões.


Estava a percorrer o estreito corredor que ligava as salas de dança às de piano, quando choquei contra ele. Olhei-o de cima a baixo, com vontade de o esmurrar. Estava demasiado irritada para ter uma conversa franca, com quem quer que fosse. Porém soube que era necessário, assim, recompus-me e disse que precisava de falar com ele.


Entrámos na sala de piano e eu prontamente me sentei no banco de um daqueles imponentes instrumentos que estavam distribuídos pela sala.


- O que foi? – Perguntou-me ele, apoiando a cabeça nas mãos, que se apoiavam na parte de cima daquele piano castanho.


Expliquei-lhe a situação e vi a sua expressão mudar, à medida que falava. Primeiro raiva, depois angústia, talvez um pouco de vergonha, até. Só no fim é que se recompôs e me lançou um sorriso vago.


- Isso já foi há muito tempo – admitiu.


- Por tanto, não o desmentes? – Perguntei, para que não restasse nenhuma dúvida.


- Não. Eu admito que já fiz muita asneira na minha vida, mas arrependo-me disso. – disse, remetendo-se em seguida ao silêncio.


Ao olhar para o seu forte rosto, por momentos acreditei que isso fosse verdade. Talvez porque era aquilo que queria ouvir, ou então… Ou então, aquilo era mesmo a verdade e eu estava já demasiado embrenhada nos mirabolantes enredos de Parker.


- Isso quer dizer que vais desistir? – Perguntou, tentando desvendar a minha expressão. – Eu percebo-te… - disse tentando-me desculpar.


- Sabes que mais?! Não, não vou desistir. Conta comigo. – Ele sorriu-me e, após termos combinado um simples horário de ensaios, abandonou a sala, no momento em que a campainha soou.

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publicado às 16:13


63 comentários

De Mαrgαs a 19.07.2011 às 17:08

Pois... :S
E vais ver! :)


kiss^^

De Mαrgαs a 19.07.2011 às 17:15

Olha já publiquei o 3º capitulo! :)
Espero que gostes!!


kiss^^

De Mαrgαs a 19.07.2011 às 17:26

Gostei bastante! :D
Escreves muitooooooo bem!!!! <33
Espero que continues com muitooosss mais capitulos! :]


kiss^^

De Dih&#39;h ◕‿◕ a 19.07.2011 às 17:33

Esta' muito bonito ;D
Que discussão mais "escandalosa" xD
Grande mulher, não desiste...
Kisses ^^

De NattahL a 19.07.2011 às 17:34

NhéNhé *-*
Amei (:
Aquele gaijo vai dar muito que falar!
xoxo'

De Mαrgαs a 19.07.2011 às 18:13

De nada!! :)


kiss^^

De tenagerstarlife a 19.07.2011 às 18:40


passatempo no blog participa!!!
http://tenagerstarlife.blogs.sapo.pt/ (http://tenagerstarlife.blogs.sapo.pt/)!
bjjx   ( desculpa o spam)

De copodeleite a 19.07.2011 às 19:25

Eu não sei. As palavras não saem. Custa. Depois acho que as ideias não são reais. Ficam muito artificiais. Para além do mais que não me debruço muito sobre isso lá muito pela minha insegurança.

De copodeleite a 19.07.2011 às 19:44

LooL *.* és uma querida. os meus comentarios devem-se à pessoa espectacular que és.  o capitulo está fixe. A dalilah está a ser casmurra...veremos o que acontecerá!
Não cheguei a perguntar porque já requesitei dois livros. Mas na proxima vez pergunto.

De copodeleite a 19.07.2011 às 19:51

És uma rapariga merecedora da minha simpatia. Quem não te é, é porque tem inveja de ti -.-'

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You told me I was like the dead sea. You never sink when you're with me.

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