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Capítulo 38 - Jacques

por Jessie Bell, em 17.07.11

 


- Diz – acabei por lhe pedir, após ter caído na realidade.


- Não te vais apresentar? – Perguntou-me, suspendendo um sorriso.


- Se me vieste fazer uma proposta, deduzo que saibas quem eu sou.


- Verdade – concordou. – Mas não sei o teu nome.


- Dalillah Vanbeveroun – disse-lhe e apertei a mão que me estendeu.


- Não te interessa saber quem eu sou? – Mas o que é que ele queria afinal?


- Eu sei quem tu és. És o rapaz que me roubou o táxi, hoje à tarde.


Ele soltou uma risada demasiada mórbida, para soar natural.


- Peço desculpa. Mas na verdade, eu faço mais que roubar táxis. Tal como te disse, o meu nome Jacques, Jacques Livingston. Sou um aluno de dança, do terceiro ano.


- Ainda não me disseste qual era a proposta…


- Bem, tal como eu já disse, eu sou um aluno do terceiro ano e arranjei um trabalho de verão, como coreógrafo, numa companhia de bailado, cá em Nova Iorque. Eu preciso de alguém para testar as coreografias, para as fazer. Pois caso contrário não conseguirei realizar o meu trabalho. Serás paga, é claro – disse com um sorriso lânguido. - São solos de contemporânea. Soube que tu és muito boa a contemporânea.


Olhei-o de cima a baixo e, de repente, reconheci-o por algo mais, do que o nosso episódio do táxi:


- Tu és o Jack.


- O Jack?


- O Jack do Mr. Samparro. – Em todos os graus existia apenas um par que tinha o prazer de ingressa as gifted classes de Mr. Samparro.


No primeiro ano, era eu e Michael, no segundo, uma rapariga chamada Broke e um rapaz, Matt, no último ano, estava Jacques e… bem, não me lembrava do nome dela.


Afinal, era Jacques e não Jack… Mr. Samparro sempre se refira a ele como Jack.


- Ah. Sim, claro – acabou por dizer, após momentos de reflexão - Mr. Samparro recusa-se a chamar-me Jacques. Diz que é demasiado snobe e pretensioso… - Para dizer a verdade, Jacques parecia-me um bocado snobe e pretensioso.


- Quem te falou sobre mim?


- Eu. Vi-te a dançar, no outro dia. És boa. O que me trás de volta à minha pergunta.


- Não sei… Terei de sair de Nova Iorque?


- Não, claro que não. Então aceitas?


- Sim, porque não… - E apertei-lhe a mão que me estendia.


Quando cheguei a casa dirigi-me ao quarto de Jessica e de Melanie.


O quarto era terrivelmente cor-de-rosa, com duas camas de madeira clara, uma ao lado da outra e com montes de poster motivadores… Contei-lhes tudo. Um misto de surpresa com felicidade voou pelo quarto, até Jess dizer:


- Ele gosta de ti.


- Quem é que gosta de mim?


- O Jacques.


- Obrigada, Jessica. Ainda bem que achas que alguém poderia fazer-me uma proposta destas, simplesmente pelas minhas capacidades. – Disse sarcasticamente.


- Dalillah, eu não estou a dizer que não és talentosa. Sabes quem é que a parceira dele?


Abanei a cabeça, negativamente.


- A Charlotte Campbell.


O meu queixo descaiu uns bons dez centímetros, assim como o de Melanie.


A Charlotte era a melhor bailarina clássica, que aquela escola alguma vez tinha visto e, apesar do seu temperamento feroz, ela conseguia deixar toda a gente de boca aberta simplesmente por respirar.


- Ó meu Deus! – Exclamou Melanie. - Os fouettes dela são o meu objectivo de vida – suspirou.


- Que exagero… - disse. – E ainda não te percebi…


- Não achas, que ele lhe teria pedido a ela.


- Sei lá… Se calhar ele pediu-lhe e ela não tinha tempo… - atirei ao ar, enquanto me sentava na cama de Melanie.


- Concordo. Não comesses já a fazer filmes, Jess.


- Pois… pois… Não acreditem, se quiserem, mas é o que eu acho. Além de que é bem feito, após me tentarem juntar com o Kevin.


- A grande diferença é que eu já tenho namorado, amor. Além de que, evitas de usar o passado, nós ainda não desistimos.


- Eu não gosto dele. Gente chata!


- Pois não… Ela gosta do Michael – anunciou Melanie prontamente. O meu queixo voltou a cair e eu olhei para ela, incrédula.


- Mel!


- Isto é verdade? – Perguntei-lhe, ainda incrédula.


Ela arfou e atirou-se para a sua cara, claramente envergonhada:


- Sim, é. E a Melanie não tinha nada que dar com a língua nos dentes.


- Desculpa…


- Sabes que ele e a Lauren acabaram?


- O que é que isso me interessa? – Perguntou, após levantar a cara da almofada, onde a tinha enterrado. Claramente, interessava-lhe.


- O que é isso não te interessa?


- Mas o que é que queres que eu faça?!


- Credo Jess. Que sensível. – disse Melanie.


- O que é que querem. Obviamente ele não está interessado.


- Como é que sabes isso? – Perguntei-lhe.


- Porque… Por amor a Deus, Lillah. Já olhaste para ele? E já olhaste para mim?


Fiquei em silêncio, durante um momento.


- Ah! Era suposto haver um antagonismo…


- Não era suposto. Simplesmente há.


- Não há nada, Jess…


A conversa não foi muito mais longe, porém sabia que tinha de fazer alguma coisa por Jessica e por Michael…


Tentei falar com Kevin e com Josh, mas eles não me deram grande saída… O que significava que, sendo que não conseguia informações por meios distintos, tinha de ir à fonte original.


- Olá Michael! – Exclamei, quando lhe irrompi, pela porta do seu quarto, encontrando-o sentado na sua cama, com o portátil no colo.


- Já não se bate à porta, menina Vanbeveroun? – Perguntou.


- O que é que pensas da Jessica? – Perguntei, sem rodeios.


- O que é que eu penso da Jess? – Perguntou-me levantando uma sobrancelha. – Andaste a beber, Dalillah. Sabes que isso aqui é ilegal, pelo menos por mais um aninho.


 Michael Halle podia ser muito diferente do gémeo, a níveis físicos, mas, no que tocava à personalidade, tratava-se de uma perfeita geometria.


- Parece-te que andei a beber? Ainda não respondeste.


- Sei lá o que é que eu penso dela… Ela é simpática e talentosa, mas não somos todos?


- Por isso…?


- Por isso, o quê? O que é que tu queres, afinal?


- Eu quero que me digas o que é que achas dela.


- Mas o que é que isso te interessa, Taylor?


- Simplesmente, interessa. Eu sei que já olhaste para ela.


- É o que acontece quando possuímos olhos.


- Não estou a dizer dessa maneira… Tu sabes… Já olhaste para ela.


- A sério, Dalillah, o que é que tu tomaste? Queres que ligue ao meu irmão?


Pronto, definitivamente, estava enganada, ao contrário de Parker, Mike não conseguia entender indirectas. Desisti:


- Michael! Gostas dela, ou não?


- O que é que isso te interessa?


- Isso é um sim?


- Sei lá… Nunca pensei nela dessa maneira…


Fiz beicinho, perante aquela desoladora afirmação.


- Ela gosta de ti – afirmei, suspirando.


- Estás a falar a sério? – Perguntou, soltando uma gargalhada.


- Não te rias, seu anormal!


- Ok… ok… Desculpa. Mas apanhaste-me de surpresa…


 Acabei por contar a Michael tudo o que tinha acontecido com Jacques e ele pareceu bastante surpreso…


- Deduzo que ainda não tenhas falado com Parker, sobre isso.


- Porque é que deduzes tal coisa? – Perguntei, surpreendida.


- Porque se já lhe tivesses dito isso ele já te tinha dito algumas coisas que te tinham feito mudar de ideias.


- Do que é que estás a falar, Mike?


- De… Esquece. Fala com ele primeiro.


Entrei no meu quarto, em direcção a mais uma noite mal dormida.


Comecei a pensar em tudo aquilo. Naquilo que Michael me tinha dito sobre Parker e Jacques. O que é que tinha acontecido, entre aqueles dois?


Peguei no telemóvel, marquei o familiar número de Parker e pressionei a pequena tecla verde.

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publicado às 16:28


41 comentários

De Fashion Brand ♥ a 17.07.2011 às 17:58

Acabas logo o post quando ela vai falar com o Parker?? Isso é maldade :(
Enfim...mais uma vez A-D-O-R-E-I o capítulo ;D
Beijinho

De Fashion Brand ♥ a 17.07.2011 às 18:26

C.Branco e tu? :)

De Fashion Brand ♥ a 17.07.2011 às 18:34

A sério? :) Eu queria ir para lá tirar o curso (mas ainda faltam 3 anos) ;)

De Mαrgαs a 17.07.2011 às 19:36

Obrigada pelo comentário! :)


kiss^^

De ▲ máei a 17.07.2011 às 20:04

obrigada pelas perguntas (:

De Fashion Brand ♥ a 17.07.2011 às 20:09

Quero medicina. Eu sei...é super ambicioso,  mas tiro boas notas (era das melhores da turma) mas o pior depois será e.física :x
Mas quero mesmo cirurgiã cardiotorácia porque adoro o sistema cardiorespiratório! É tão fascinante! :)

De Fashion Brand ♥ a 17.07.2011 às 21:41

Isso é um sonho fantástico :) Ouvi falar que todos os anos 50 estudantes portugueses iam estudar para a universidade da nasa ou iam estagiar para lá :/ Não sei mesmo...
Mas acho que me saía bem em medicina...não me fazem muita impressão aquelas lesões (mas também não sou daquelas que vê sem pelo menos torcer o nariz, nem tenho medo de agulhas nem de ver sangue. Só não gostava de trabalhar na parte da ortopedia :/ Só acho que o problema seria o facto de ser emotiva :| Choro com facilidade nos filmes e não lido muito bem com mortes (não por nível físico, mas por nível emocional). Mas essa é uma questão de me habituar. Dizem que as pessoas em medicina têm que ser frias (de uma certa forma é verdade, mas acho que as pessoas frias não iriam dar a importância necessária aos pacientes) :| Enfim...irei ter 3 anos com este tema para pensar, mas principalmente para me esforçar!

De copodeleite a 17.07.2011 às 21:55

Desculpa a minha ausência. Sou uma amiga desnaturada mas tem acontecido tanta coisa na minha triste vida que nem tenho tempo para estar contigo :x
beijinho

De copodeleite a 17.07.2011 às 22:19

é uma maneira de dizer. tenho passado a ultima semana bastante bem. cheia de coisas para fazer. fui à praia. diverti-me com amigos. até assistia a um concerto. no entanto, as memorias do passado vem. e fico meia melancólica.
beijo

De Fashion Brand ♥ a 17.07.2011 às 22:29

Eu não sei se é universidade da nasa :x Deve ser um estágio acho eu :)
Pois...eu também já vi assim pessoas (infelizmente).

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You told me I was like the dead sea. You never sink when you're with me.

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