Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Capítulo 37 - Proposta

por Jessie Bell, em 14.07.11

 


Vou dedicar este capítulo à Fashion Brand, porqque ela é fofinha e eu gosto dos post dela, e porque ela é fofinha e eu hoje estou feliz e ela é fofinha. Vejam o blog dela aqui


 


Regressei ao apartamento com vontade de esmurrar alguém. Sentia-me enervada e comichosa e má. Queria descarregar em alguém. Queria dizer que aquilo tudo estava mal. E queria ir a L.A., simplesmente para o ir buscar por uma orelha, apesar do seu voo ainda não ter aterrado.


Deitei-me sobre a minha cama e bufei irada. Apetecia-me fazer uma cena e começar a rasgar almofadas com tesouras e a partir coisas.


Não o fiz (graças a Deus, ainda me restava algum resquício de sanidade).


Ouvi baterem me à porta.


Não respondi.


Voltaram a bater. Até que me arrastei da cama e a abri, com um falso sorriso nos lábios.


Era Melanie, com aquele sorriso maroto nos lábios, que me entretinha durante as entediantes aulas de sábado à tarde.


- Olá Melanie – disse, quando a encontrei observando-me de cima a baixo, sem proferir uma palavra.


Após uns momentos, pareceu voltar a ela.


- Olá. Queres vir às compras?


Tive vontade de fechar-lhe a porta na cara. Aquela rapariga conseguia não ter qualquer tipo de sensibilidade… Sabia que não o fazia por mal. Era da sua natureza e a verdade é que os domingos eram de facto dias bastante entediantes, sendo que ficávamos confinados aos nossos apartamentos, ou então saímos.


- Melanie, por favor. – Implorei-lhe com os olhos.


- Oh, por favor digo eu, Dalillah. A Jess está a estudar e eu preciso de comprar coisas para as aulas de ballet. Os meus maiôs estão todos arruinados. – Olhou para mim com os seus ovais olhos castanhos, como um cão que acabara de ser abandonado. – Eu pedia a um dos rapazes, mas eles depois ponham-se a comprar coisas impróprias para eu ver. Por favor – voltou a implorar.


- Argh! Está bem. Consegues ser tão chata.


- Gosto muito de ti.


- Pois, pois. O que te vale é que eu também preciso de comprar umas coisas. - disse, enquanto apanhava a carteira do chão,  num movimento demasiado rebuscado.


- Sim, como se o teu roupeiro já não estivesse a abarrotar…


Apanhámos um táxi e dirigimo-nos ao centro da Big Apple.


Lá entrámos numa loja destinada apenas à venda de artigos de dança.


Fartámo-nos de experimentar coisas. Era pena, o facto de só podermos usar maiôs pretos, pelo menos para as aulas da Mrs. Baranova, que era rígida como uma estaca. Para ela, todas nós tínhamo-nos de vestir igual, para poder observar melhor os nossos movimentos e linhas. Mr. Samparro, por outro lado, não se importava com isso. Por ele podíamos ir nus, que ele não queria saber, acho.


Melanie apreciava tanto uma boa tarde de compras, como eu e isso alegrou-me e distraiu-me.


No final, acabei por comprar apenas um novo maiô preto, que tinha um corte completamente diferente, tendo as costas abertas e com umas alças grossas que rodeavam-me o pescoço. Já que estava para irritar alguém, pelo menos que irritasse alguém que não podia ficar zangado comigo a níveis pessoais. Comprei também outro, em tons de verde marinho, simplesmente porque as minhas pontas verdes eram demasiado confortáveis, para estarem sentadas numa prateleira. Poderia usá-las nas gifted classes.


Saímos da loja com os sacos e esperámos novamente por um táxi. Pena não ser tão fácil como nos filmes…


Finalmente um veículo amarelo e vazio apareceu e eu e Melanie corremos apressadas para ele, tentando fazer com que ele parasse. No entanto, um rapaz moreno e musculado, com o cabelo escuro a cobrir-lhe o rosto parcialmente, chegou ao táxi, primeiro e entrou nele.


- Não! – exclamou Melanie,  com vontade de correr atrás do táxi e forçar o rapaz a abandonar o carro.


- Isto é Nova Iorque. Os táxis, supostamente deviam estar sempre a passar. Não ficaste com o número da central? – Perguntei esperançosa.


- Não… Estamos condenadas a ficar aqui.


- Desesperas muito facilmente rapariga – disse, levantando uma sobrancelha. – Podemos telefonar a Mike, para nos vir buscar…


Entretanto, e felizmente, um táxi passou e eu fiz-lhe sinal com veemência para que ele parasse. Assim o fez.


Entrámos e Melanie sorriu-me de uma maneira muito própria e eu retribuí-lhe o sorriso, enquanto dizia ao motorista a morada, para onde nos dirigíamos.


Quando chegámos, pousei as coisas na cama e fui à cozinha para me preparar um jantar rápido.


Comi uma salada e nada mais. Tomei banho, enfiei-me no pijama e após ter guardado as minhas mais recentes compras. Deitei-me na minha cama e tirei da mesa-de-cabeceira o livro que continha a peça “Uma Longa Jornada para a Noite”.


Aquele livro, apesar de ser um dos meus favoritos, deprimia-me. A forma como a mãe desprezava a família. Como todos eram dependentes. Não existia uma única personagem naquela peça que fosse sã. Que fosse o herói. Eram todos uma cambada de gente deprimente. Eram a verdadeira representação da vida, na sua mais trágica forma. De certa forma, aquele livro, simplesmente dava-me esperança… Quer dizer, não era difícil que a minha vida fosse melhor que a deles.


Quando finalmente adormeci, eram já duas e meia… Teria de voltar a aprender a dormir sozinha.


 


Acordei com a claridade que transparecia por entre as finas cortinas da janela. Olhei para o relógio e ia caindo da cama quando vi as horas. Eram dez e meia.


A aula de piano já estava perdida. Mas às onze começavam a de pa de duex, o que significava que tinha de correr.


Saltei da cama, vesti a primeira coisa que encontrei no roupeiro, escovei os dentes e irrompi pela porta do apartamento o mais depressa que me foi possível.


Quando cheguei à sala de dança, Michael olhou-me com um ar de quem me queria matar.


- Desculpa – sussurrei-lhe.


Ele voltou a olhar para mim com o mesmo ar zangado.


Aquecemos e começámos a aula, um pouco atrasados, tendo recebido um olhar feroz de Mr. Samparro. Quando a aula acabou, Mr. Samparro deu-nos um enorme sermão sobre pontualidade e responsabilidade e mesmo quando lhe disse que a culpa era inteiramente minha ele referiu que, sendo nós um par, o que um fazia era o que o outro fazia.


Michael saiu da sala obviamente bastante chateado. Segui-o:


- Desculpa, Michael.


Puxei-o pelo braço, enquanto ele tentava atravessar o corredor cheio de gente.


- Esquece, Taylor.


- O que é que se passa? – Nunca o tinha visto tão chateado…


- Nada. Não estou a ter um bom dia.


- Porquê?


- A Lauren… - abanou a cabeça e largou o seu braço da minha mão, que ainda o agarrava.


- Mike! A Lauren, o quê? O que é que aconteceu? – Perguntei, voltando a persegui-lo, pelo corredor fora.


Encostou-se furiosamente a uma parede e fechou os olhos, respirando fundo.


- A Lauren e eu... A Lauren acabou comigo. – Acabou por proferir.


Olhei para ele com um ar de choque, que tentei conter, para não o perturbar, mais.


- O quê? Porquê?!


- Porque… Olha, não faço a mínima ideia porquê. Simplesmente fê-lo. Disse que eu já não era suficiente.


Olhei para ele, atónita. Eu tinha conhecido Lauren e ela nunca me tinha parecido capaz de fazer tal coisa…


 - Demorou seis anos e muitas discussões com o meu pai até perceber que eu não era suficiente.


- Lamento. – Disse-lhe, colocando-lhe a mão, no ombro robusto.


Abraçou-me, inesperadamente, suspendendo-me no ar e deixando-me sem ar. Era a mesma coisa que abraçar um urso.


- Michael… Estou a ficar sem ar.


Finalmente, pouso-me no chão e olhou-me pesarosamente.


- Amanhã de manhã ensaiamos – prometi-lhe.


- Obrigado – disse, enquanto me abandonava.


O resto das aulas, nesse dia, passaram com uma enorme rapidez e à noite decidi ir ensaiar, para poder compensar Michael, no dia seguinte.


Tinha marcado a sala de dança número três e foi para aí que me dirigi, quando abandonei o apartamento, após uma breve pausa, à tarde.


Estreei o meu novo maiô verde, juntamente com as pontas e fui para a sala, deparando-me com a tão “agradável” Kate.


- Olá! – Exclamou, quando me viu.


- Eu tinha marcado esta sala – disse, olhando para o horário com as marcações, que estava pendurado, ao lado da porta.


- Oh desculpa. Distraí-me com as horas. Saio já. – Assim o fez, deixando-me surpreendida com tanta bondade.


Liguei a música e comecei a fazer exercícios básicos na barra, após ter aquecido.


Estava a apreciar o meu momento de concentração. O meu pequeno momento de perfeição. Até largar a barra e me lançar num pequeno improviso de ballet contemporâneo. Já não estava a fazer nada de produtivo, sabia disso. Mas estava a divertir-me, coisa que já não fazia há algum tempo.


Quando parei e olhei para o grande espelho da ampla sala, observei uma cara desconhecida, que acabei por classificar como familiar: era o mesmo rapaz, homem, que me tinha roubado o primeiro táxi, a mim e à Mel.


- Olá! – Exclamou, encostado à ombreira da porta.


Olhei para ele, observando melhor o seu rosto. Era surpreendentemente bonito. O cabelo escuro cobria-lhe o rosto até ao maxilar. Os olhos eram de um castanho claro, aproximando-se do âmbar e o nariz era distinto, dando-lhe carácter à cara forte.


- O meu nome é Jacques. Queria fazer-te uma proposta.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 23:03


20 comentários

De Annie a 14.07.2011 às 23:35


hum ... este Jacques tras agua no bico

De Fashion Brand ♥ a 14.07.2011 às 23:41

Ohhhh...amei amei amei amei!! Completamente :'D Muito obrigada...eu nem achei que fosse preciso, porque uma boa forma de agradecimento era postares o cap.37 que eu já ficava a dar pulos de alegria, mas com isto ainda fiquei mais contente :) Agora quero mesmo o capítulo 38 para ver a proposta do Jacques :)
Ahh e já agora...fofinha és tu!! Beijinho

De Fashion Brand ♥ a 14.07.2011 às 23:47

Gostei mesmo!! :D

De andrada. a 15.07.2011 às 10:59

obrigada querida :$ :)

De NattahL a 15.07.2011 às 11:07

Aih, agora não se sabe a proporta --'
Adorei xD
xoxo'

De ▲ máei a 15.07.2011 às 19:51

são as notas dos exames, acho que são assim em todo o país o:
pelo menos foi o que disseram lá na escola :f

De Mαrgαs a 15.07.2011 às 19:56

Eheh, obrigada por acompanhares a minha fic! :)


kiss^^

De Mαrgαs a 15.07.2011 às 21:21

Aww muitoo obrigada! :D

De Mαrgαs a 15.07.2011 às 21:25

Eheh! :)
És muito querida! :)

De Mαrgαs a 15.07.2011 às 21:32

De nada!

Comentar post


Pág. 1/2



You told me I was like the dead sea. You never sink when you're with me.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog